7 de maio de 2021

Dia das mães: casal consegue gravidez após superar a infertilidade

Cecília, de apenas um mês, já “faz graça” em casa (ela costuma negar-se a tomar a mamadeira quando o pai oferece, mas toma tudo quando a mãe a pega no colo). A astúcia da filha faz Meire Hellen Aparecida Ferreira, 37 anos, rir ao telefone ao se recordar da situação. Auxiliar Administrativo, ela mora em Piracicaba e, com o marido, o funcionário público, André Luis Tonin, 38, vai comemorar nesse domingo o seu primeiro Dia das Mães. A alegria dela é contagiante e diz muito sobre a grandiosidade que esse momento representa para sua família. Aliás, a maternidade sempre foi um desejo de Meire. Quando pequena, mesmo crescendo rodeada por outras crianças, pediu à mãe uma irmã e dizia orgulhosa que era ela quem iria cuidar. No entanto, o caminho para realizar esse sonho na vida adulta não foi tão simples. Antes de Cecília nascer, no dia 7 de abril desse ano, Meire passou por uma longa jornada até encontrar o final feliz dessa história.

Ela conheceu André em 2004 e os dois se casaram em 2011. Após alguns anos de casamento, Meire começou a se questionar porque a gravidez não vinha. Sentia que havia algo de errado e sua primeira impressão era de que o excesso de peso era um vilão para conquista da gravidez.

“Eu pensava que eu não engravidava porque eu era gordinha”, lembra.

Com a idade passando, ela ficava ainda mais preocupada com a possibilidade de não conseguir ser mãe. Foi durante uma consulta médica que não tinha relação com o tema, no entanto, que essa jornada começou a mudar.

O médico chamou a atenção dela para a possibilidade de realizar uma cirurgia bariátrica por causa do excesso de peso. Depois de pensar a respeito, decidiu fazê-la. Além de se preocupar com sua saúde, ela acreditava que esse era um empecilho para sua gravidez.

“Meio que vesti a camisa. Quero ser mãe, eu não consigo, pode ser que isso seja um fator que está me prejudicando, então tomei a decisão de fazer a cirurgia”, conta.

O procedimento foi realizado em maio de 2016, mas foi aí que o destino trouxe um novo desafio para sua busca pela maternidade. Em 2017, com o peso regulado e seus exames em ordem, o casal voltou a tentar a gravidez que, entretanto, não veio.

Em 2019, ela começou uma rotina de exames com o intuito de descobrir porque não engravidava. Contudo, eles só aumentavam as suas dúvidas, já que os resultados eram favoráveis e não apresentavam impedimento. Meire continuou buscando respostas até que um dos médicos pelos quais passou, indicou que ela procurasse o Centro de Reprodução Humana de Piracicaba. Era o começo de um novo capítulo na sua história com a maternidade.

Uma gravidez com mais de nove meses

Foi em março de 2020 que o Dr. Gustavo de Mendonça Borges, que é Pós-graduado em reprodução assistida e Membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia, recebeu e começou a acompanhar Meire e André nas investigações sobre a causa da infertilidade no Centro de Reprodução Humana de Piracicaba.

Sentimos, desde o primeiro contato com os pacientes em tratamento no CRHP, toda ansiedade, expectativa, insegurança e, muitas vezes, a angústia desses casais. A maioria já está há mais de 3 – 4 anos tentando gravidez, já tendo passado por vários tratamentos clínicos e, algumas vezes, cirúrgicos, sem sucesso… São vários meses de expectativa, esperando a tão sonhada gravidez, que nunca aparece. Faz parte de nosso trabalho estudar cada caso de maneira especial, buscando o melhor diagnóstico possível, e escolhendo junto de cada casal, a melhor forma de tratamento. Nosso objetivo é confortá-los, deixar claro quais são as chances de sucesso com cada tipo de tratamento, oferecer a melhor técnica para cada caso, e seguir junto em busca da tão sonhada gravidez”, explica o Dr. sobre o trabalho como especialista na reprodução assistida.

Ele realizou o atendimento integrado de Meire e André e orientou que fosse feito um espermograma (exame detalhado que analisa a qualidade do sêmen) para verificar se havia algum fator masculino impedindo a gravidez, já que os exames dela estavam normais.

“O fato de ele ser urologista acabou ajudando. Porque o urologista cuida da saúde do homem […], então penso que ele deixou meu esposo muito à vontade”, conta.

Através do exame, foi possível identificar o problema: André tinha poucos espermatozoides saudáveis. Com esse diagnóstico, o casal tinha duas opções: continuar tentando a gravidez de forma espontânea, mas correndo o risco que ela demorasse e a idade se tornasse um agravante para Meire, ou fazer uma Fertilização In Vitro e acelerar esse processo, aumentando assim, a possibilidade de conseguirem.

Antes de optar pela FIV, André ainda tentou outra alternativa, utilizando medicamentos sob prescrição médica para estimular a produção de espermatozoides, porém, não houve sucesso. Dessa forma, o casal optou pela reprodução assistida para tentar ter um bebê.

Na FIV, que é um tratamento de alta tecnologia, a paciente recebe medicamentos injetáveis durante 10 a 12 dias, para induzir a ovulação. Nesse período, ela precisa comparecer na clínica mais ou menos a cada 3 dias para que o especialista em reprodução assistida possa acompanhar o crescimento dos folículos e fazer os ajustes nas doses e tipos de medicações utilizadas. Por volta do 14.º dia, a paciente vai à clínica para retirar os óvulos. O sêmen do parceiro também é coletado e é utilizado para fertilizar os óvulos em laboratório. Após alguns dias, são formados os embriões, que são transferidos para o útero da mulher para dar início à gestação.

Nesse período, apesar de sempre manter o pensamento positivo quanto ao resultado do procedimento, Meire experimentou uma verdadeira montanha-russa, com momentos de otimismo e ansiedade se alterando e, às vezes, vindo juntos. O vai e vem dos procedimentos enfim acabou e o casal pode finalmente receber a boa notícia: a gravidez tinha acontecido. Foi aí que a gestação de Meire começou, ou melhor, continuou, pois, como ela mesmo define, essa não foi uma gravidez convencional de nove meses.

“A minha gravidez começou em março. Desde março você vive aquela espera. Quando estamos grávidas, esperamos que com nove meses o bebê vá chegar. A minha não, a minha começou em março, quando decidimos: vamos fazer o tratamento”, brinca ela.

Sofrido e grandioso: como definir a maternidade em todas as suas facetas?

Cecília quase nasceu antes do tempo que já é considerado antes numa gestação (Meire descobriu uma redução do volume de líquido amniótico com 33 semanas), mas a pequena veio ao mundo com 35.

“Chegar em 35 semanas já foi uma vitória”, conta ela sobre esse aspecto.

Esse foi outro desafio para o casal que vivenciava a primeira gravidez em meio a uma pandemia e com todas as restrições sanitárias que esse contexto impõe. A mãe de primeira viagem se preocupava com a possibilidade de a bebê precisar ficar numa UTI e não poder acompanhá-la devido à situação causada pela Covid-19. Entretanto, Cecília não passou por isso e os três, logo, ficaram unidos.

A família vive seu melhor momento desde que essa jornada começou. Nesse Dia das Mães, que Meire pode chamar de “seu”, ela passará com a casa repleta de amor e encantamento. Já é uma experiência muito maior do que ela poderia imaginar quando, ainda pequena, pedia à mãe para ter uma irmã.

Quando questionada sobre o que é ser mãe, a resposta vem recheada de lembranças de momentos intensos e emocionantes, de um amor que, segundo ela mesma, “chega a doer”. Essa relação, construída, momento a momento, garante ela, só quem é mãe consegue entender.

Penso que é essa ligação desde o início de tudo, que faz ser diferente, ser especial, ser feliz, sofrido, doído, mas que você não troca por nada”, define ela — sem acreditar que é possível definir a singularidade do seu momento. “É tudo isso e muito mais. É mágico, é grandioso”, conclui.

Que o Dia das Mães de Meire inspire outras mulheres que estão buscando a maternidade!

O Centro de Reprodução Humana de Piracicaba está instalado no Hospital Santa Isabel, graças a uma parceria com a Santa Casa de Piracicaba.

Jornalista responsável: Arlete Maria Antunes de Moraes. MTB 0084412/SP.

Gustavo de Mendonça Borges
Gustavo de Mendonça Borges

Gustavo de Mendonça Borges

Especialista em Reprodução Humana | CRM/SP 94.121
  • Formado pela Faculdade de Ciências Médicas Unicamp
  • Pós-graduado em reprodução assistida
  • Membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia
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