28 de janeiro de 2021

Excesso de atividade física prejudica a fertilidade?

Sim, o excesso de atividade física é prejudicial para fertilidade. Ela leva, por exemplo, à uma Síndrome conhecida como Tríade da mulher atleta. Nela, se identificam: distúrbio alimentar, alteração no ciclo menstrual e osteoporose.

Dra. Milena Elisa Goes Dias Silva (CRM/SP 141.626), explica que as disfunções menstruais se encontram entre as principais consequências negativas relacionadas ao treinamento físico extenuante e a fertilidade. Os distúrbios do ciclo menstrual incluem retardo da puberdade, alterações na fase lútea, anovulação (ausência de ovulação), e amenorréia (ausência de menstruação).

“Além disso, muitas dessas pacientes apresentam lesões, aumentando o uso de antinflamatórios e corticóides, que também podem impactar na fertilidade do casal”, acrescenta.

A médica é especialista em reprodução assistida e ginecologista. Ela integra a equipe de especialistas em reprodução assistida do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba (CRHP). De acordo com ela, hábitos saudáveis, alimentação balanceada e controle do peso devem ser objetivos de todos. E são muito importantes aos casais que desejam engravidar.

“Existem estudos que relacionam resultados positivos da atividade física na fertilidade. Porém, o excesso, impacta negativamente. A recomendação é 3 a 4 vezes na semana, pelo menos por meia hora. Para quem é sedentário, obeso, tem diagnóstico de diabete ou ovário policístico, a atividade física é muito benéfica”, explica.

Qual é a definição de excesso de atividade física?

Uma dúvida que pode surgir quando falamos em excesso de atividade física é distinguir quando a atividade física é benéfica e quando ela pode trazer riscos para a fertilidade e à saúde.

Primeiramente, é importante dizer que, de forma geral, ela deve trazer benefícios. No entanto, quando provoca lesões que aumentam o consumo de antinflamatórios e corticoides, levam ao uso de anabolizantes que impactam na fertilidade masculina e feminina, emagrecimento exagerado com interrupção da menstruação, por exemplo, não é recomendável.

“O indicado é o equilíbrio, o que traz melhora da qualidade de vida. Atividade física que traga prazer. Três a 4 vezes na semana por pelo menos 30 minutos”.

Além disso, também é importante fazer uma diferenciação entre uma atleta profissional e uma amadora. Isso porque, embora a profissional necessite de mais preparo e treino, ela dispõe, por exemplo, de uma equipe para ajudá-la a atingir os objetivos. Ademais conta com nutricionista, preparador físico, fisioterapeuta… Já quem realiza atividade física exageradamente sem orientação de uma equipe de profissionais, fica mais susceptível a lesões e ao uso irregular de antinflamatorios, corticoides e até de anabolizantes.

Quando é necessário fazer um tratamento?

A princípio, a necessidade de fazer um tratamento de reprodução assistida começa a ser cogitada quando a mulher, após um ano de tentativas, não consegue engravidar. O tipo de tratamento, é claro, dependerá da causa da infertilidade.

No caso de mulheres com idade próxima aos 40 anos ou que desejam postergar a gravidez, como no caso de atletas profissionais, vale a pena uma orientação do especialista, para tirar dúvidas, avaliar a fertilidade, reserva ovariana ou até programar um congelamento de óvulos para uma futura gravidez.

“Como qualquer paciente que tenha dificuldade em engravidar espontaneamente, a reprodução assistida é uma opção para tratamento. Além disso, as mulheres têm mais liberdade de escolher o melhor momento para engravidar. Muitas mulheres estão no auge de sua carreira como atletas, mas se preocupam com o relógio biológico da fertilidade. Elas podem assim, optar por congelar seus óvulos e engravidar posteriormente”, comenta a Dra.

O Centro de Reprodução Humana de Piracicaba está instalado no Hospital Santa Isabel, graças a uma parceria com a Santa Casa de Piracicaba.

Jornalista responsável: Arlete Maria Antunes de Moraes. MTB 0084412/SP.

Dra. Milena Elisa Goes Dias Silva
Dra. Milena Elisa Goes Dias Silva

Dra. Milena Elisa Goes Dias Silva

Ginecologista | CRM/SP 141.626
  • Formada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
  • Pós-graduação em infertilidade e reprodução humana pela Faculdade de Ciências médicas da Santa Casa de São Paulo/Projeto Alfa
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