30 de dezembro de 2020

Azoospermia: uma das causas de infertilidade masculina

A azoospermia é caracterizada pela ausência total de espermatozoides no sêmen. Ela pode ter causa obstrutiva ou não-obstrutiva. E, dependendo da causa, pode ter tratamento clínico ou cirúrgico. Assim, é possível dizer que alguns homens com azoospermia podem conseguir engravidar espontaneamente suas parceiras após tratamento.

No entanto, se a gravidez espontânea não for possível, algumas técnicas de reprodução assistida podem ser utilizadas em alguns casais. Nesses casos, a técnica mais utilizada é a Fertilização in Vitro (FIV).

Dr. Gustavo de Mendonça Borges (CRM/SP 94.121), explica que a FIV é possível em alguns desses casos, porque o paciente pode não ter espermatozoides no ejaculado,  mas mesmo assim existir uma pequena produção nos testículos. Em alguns desses casos, uma pequena quantidade de espermatozoides pode ser recuperada diretamente dos testículos.

“Quando a produção é muito, muito pequena, os espermatozoides são produzidos, mas eles ficam presos nos testículos e não saem. Os túbulos seminíferos precisam “encher” e, vamos dizer assim, “transbordar para o epidídimo”, que é uma estrutura que fica do lado do testículo. Então, se a produção é muito, muito baixa, esses espermatozoides não saem dos testículos.”, explica o Dr.

Borges, é urologista e especialista em reprodução assistida. Ele integra a equipe do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba (CRHP).

Quais são os tratamentos para azoospermia?

Quando a azoospermia é obstrutiva é preciso investigar se é possível desobstruir as vias ejaculatórias. Entretanto, se não houver como, há a possibilidade de retirar os espermatozoides direto do testículo e fazer a FIV.

Um dos exemplos de azoospermia obstrutiva acontece quando se formam cistos dentro da próstata. Esses cistos comprimem os ductos ejaculadores, e o paciente, apesar de ter orgasmo, não apresenta espermatozoides no sêmen. Nesses casos há técnicas cirúrgicas de ressecção, que retomam a eliminação de espermatozoides no ejaculado.

“Há casos de pacientes que fazem uma cirurgia de hérnia inguinal, e o canal deferente acaba ficando “amarrado”. Se esse for o problema, é possível uma cirurgia reconstrutiva do canal deferente. Uma outra causa de azoospermia obstrutiva, mais aí é adquirida, é a própria vasectomia”, informa.

Há causas obstrutivas, no entanto, que não são reversíveis com cirurgia. É o caso de uma doença conhecida como agenesia dos canais deferentes. Nessa situação, o paciente nasce sem os canais deferentes, que é o canalzinho que transporta o espermatozoide do testículo até a próstata. Não há tratamento cirúrgico que reconstrua esse canal e, portanto, a única opção para quem quer ser pai é realizar a Fertilização in Vitro através de punções aspirativas (para retirada dos espermatozoides diretamente do testículo ou epidídimo).

E quando a azoospermia não é obstrutiva?

Segundo o urologista, quando a causa não é obstrutiva, ela tende a ser mais grave. “Quando ele não tem obstrução, ele pode ter dois problemas: a falta de estímulo hormonal do testículo ou o testículo realmente não ter as células responsáveis pela produção dos espermatozoides. Há também causas tóxicas (anabolizantes, drogas e alguns medicamentos) que podem levar à azoospermia.”

O melhor cenário seria o primeiro caso (falta de hormônios), já que é possível fazer uma reposição, assim, ele voltará a produzir espermatozoides. Já no segundo caso (falta de células produtoras), em geral não há como ajudar o paciente.  Isso pode acontecer, por exemplo, com pacientes que tiveram caxumba, usaram anabolizantes ou outras substâncias tóxicas para os testículos, ou, ainda se for portador de alguma síndrome genética.

Se o paciente estiver com a produção hormonal normal e não houver obstrução, a única opção é fazer uma pesquisa dentro do testículo, que se chama microdissecção testicular. O procedimento cirúrgico é realizado no CRHP.

Nele, o especialista abre o órgão e procura, através de um microscópio, pequenos focos de produção de espermatozoides. “E aí você consegue, às vezes, achar. [Até mesmo] em alguns pacientes “que têm zero espermatozoides no ejaculado” você consegue achar durante microdissecção testicular (Micro-TESE)”, explica.

Nesse caso os espermatozoides são congelados, e usados algum tempo depois na Fertilização in vitro.

Quais são os exames para identificar a azoospermia?

A azoospermia não apresenta sintomas, além da sua consequência, que é a infertilidade. O exame mais importante neste caso é o espermograma. O urologista ressalta, no entanto, que é muito importante realizá-lo em clínicas especializadas.

“Às vezes, o paciente vem com o diagnóstico de que é estéril, e aí você faz um espermograma bem feito e encontra espermatozoides. Isso muda completamente o destino do casal, já que para alguns pacientes “desenganados”, se encontrarmos a mínima quantidade de espermatozoides, já podemos realizar o tratamento de Fertilização in vitro, possibilitando que o homem tenha filhos geneticamente seus”, explica ele.

Após o espermograma, exames de sangue são usados para identificar alterações hormonais. E, em alguns casos, faz-se também o estudo genético e avaliação com ultrassonografia. “Esses são exames [com os quais nós podemos] fazer o diagnóstico de 90% das causas”, conclui.

É importante lembrar, por fim, que os homens em geral e, especialmente os que desejam ser pais, devem estar sempre atentos à saúde. Isso significa, portanto, consultar regularmente seu médico e buscar ajuda quando perceber que algo não vai bem. Dessa forma, é possível prevenir problemas ou identificar situações que podem levar à infertilidade.

O Centro de Reprodução Humana de Piracicaba está instalado no Hospital Santa Isabel, graças a uma parceria com a Santa Casa de Piracicaba.

Jornalista responsável: Arlete Maria Antunes de Moraes. MTB 0084412/SP.

Gustavo de Mendonça Borges
Gustavo de Mendonça Borges

Gustavo de Mendonça Borges

Urologista | CRM/SP 94.121
  • Formado pela Faculdade de Ciências Médicas Unicamp
  • Pós-graduado em reprodução assistida
  • Membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia
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