26 de novembro de 2020

Cadeirantes: tratamentos de reprodução assistida

Homens e mulheres que são cadeirantes podem recorrer às técnicas de reprodução assistida para serem pais. Isso, é claro, quando há problemas relacionados à fertilidade, já que, de maneira geral, as mulheres que estão na cadeira de rodas podem engravidar de forma espontânea, assim como os homens nessa condição têm a possibilidade de engravidarem suas parceiras.

De acordo com o ginecologista Dr. Paulo Arthur Machado Padovani (CRM 39.536), o importante para as mulheres cadeirantes que querem ser mães é realizar um bom pré-natal e compensar, da maneira que for possível, a inatividade física.

No caso dos homens, apesar de alguns conseguirem engravidar suas parceiras, pode haver maior dificuldade. Isso porque, segundo o urologista Dr. Gustavo de Mendonça Borges (CRM/SP 94.121), é o tipo de lesão neurológica que o paciente tem que vai determinar esse resultado.

Os especialistas em reprodução assistida integram a equipe do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba (CRHP) e, a seguir, esclarecem mais dúvidas sobre o tema.

Reprodução assistida para homens e mulheres cadeirantes

Como já mencionado, para as mulheres, não havendo lesões no ovário ou no útero (o que demandaria uma investigação maior do caso) e estando as condições de micção e evacuação normais, as técnicas de reprodução assistida aplicadas não vão diferenciar de uma mulher não cadeirante. A escolha do tratamento dependerá das especificidades que levam à infertilidade em cada caso.

“Em geral não há tantos problemas. A pessoa que é cadeirante faz os exames ginecológicos normalmente. Nós temos que ter toda uma estrutura para poder atendê-la, mas não muda”, esclarece o ginecologista.

No caso dos homens, dependendo do tipo de alteração, alguns ainda mantêm suas ereções e ejaculações. Por isso, eles conseguem ter atividade sexual com ou sem auxílio de medicamento (utilizados para conseguir ereção) e, assim, podem produzir uma gravidez espontânea.

Entretanto, isso não acontece com a maioria. A maior parte desses pacientes não tem uma ereção muito controlada e não consegue ter ejaculação. Isso porque, a parte neuronal que comanda a ejaculação quase sempre está comprometida.

“Então o grande problema é esse. O paciente na maioria das vezes tem uma produção testicular boa, com boa quantidade de espermatozoides. No entanto, ele não consegue ejacular. Por isso, que a maior parte deles tem que fazer tratamento de fertilização in vitro”, explica Borges.

No procedimento, coleta-se os espermatozoides diretamente do testículo ou do epidídimo.

Os tratamentos têm alguma limitação?

As chances de sucesso dos tratamentos de reprodução assistida para homens e mulheres cadeirantes são muito parecidas com as de pacientes que não são cadeirantes.

“O que sabemos é que pacientes que não tem ejaculação, ficando com os espermatozoides acumulados nos testículos e epidídimos, acabam tendo uma diminuição na produção de espermatozoides”, comenta o urologista.

Isso, no entanto, não limita as chances já que na fertilização são necessários poucos espermatozoides. O mais grave, portanto, seria o paciente ter alguma doença ou usar alguma droga/toxina que possa prejudicar a produção de espermatozoides.

“De maneira geral, o que vai afetar a chance de ele ter sucesso não é o fato de ele ser cadeirante. É o fato de ele ter outras doenças associadas. A chance de sucesso é praticamente igual a de um paciente que não é cadeirante”, ressalta o médico.

O Centro de Reprodução Humana de Piracicaba está instalado no Hospital Santa Isabel, graças a uma parceria com a Santa Casa de Piracicaba.

Jornalista responsável: Arlete Maria Antunes de Moraes. MTB 0084412/SP.

Dr. Paulo Arthur Machado Padovani
Dr. Paulo Arthur Machado Padovani

Dr. Paulo Arthur Machado Padovani

Ginecologista | CRM 39.536
  • Formado pela Faculdade de Medicina de Jundiaí
  • Pós-graduado lato-sensu pela Faculdade de Medicina de Jundiaí e Associação Instituto Sapientiae
  • Especialista em ginecologia e obstetrícia, e habilitação em laparoscopia
  • Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
  • Possui título de Capacitação em Reprodução Assistida emitido pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
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