11 de outubro de 2020

Doação de embriões: como funciona e para quem é indicada?

O embrião é formado pela junção do espermatozoide com o óvulo. A partir dessa conexão, ele começa se multiplicar em número de células para, então, formar o feto. A doação de embriões pode ser uma alternativa nos tratamentos de reprodução assistida.

“Dependendo do histórico do casal pode ser interessante… Por exemplo: ela não possa ter óvulos pela idade avançada e ele tenha feito radioterapia por câncer de testículo (e não tenha congelado seus espermatozoides antes)”.

A observação é do ginecologista Paulo Arthur Machado Padovani (CRM 39.536). O especialista em reprodução assistida é diretor do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba (CRHP). A seguir, explicamos mais sobre o tema.

Situações em que a doação de embriões pode ajudar

Muito pouco frequente e, portanto, menos comum que a doação de óvulos ou espermatozoides, a doação de embriões pode ser uma possibilidade para qualquer casal.

Entretanto, na maioria das vezes, estes preferem gerar seus filhos com o seu próprio material genético. Então ela acaba sendo uma opção apenas em situações mais extremas.

Esses casos são aqueles em que há impossibilidade de um deles ou dos dois usar seu patrimônio genético (óvulos e espermatozoides).

Entre essas situações, é possível citar problemas de saúde, idade ou tratamento agressivo feito anteriormente (câncer, por exemplo).

Além disso, também podem ser fatores, a baixa reserva ovariana, menopausa, ausência dos ovários e azoospermia não obstrutiva (onde não há produção de espermatozoides) etc.

Mulheres que desejam a produção independente também podem se beneficiar desse tipo de tratamento.

O casal ou o paciente pode, logicamente, optar também pela adoção. Eles, entretanto, não passarão pela experiência da gestação, que é, muitas vezes, um desejo importante dos envolvidos.

Regras do Conselho Federal de Medicina

No Brasil, a doação de embriões é permitida somente em situações em que não há caráter lucrativo ou comercial. A identidade de quem doou o material genético não é conhecida pelos receptores e vice-versa.

A doação de embriões acontece em situações específicas e não é possível realizá-la sem que o doador tenha passado por um tratamento de reprodução assistida.

A escolha dos doadores é feita pelo médico responsável, que conta com o apoio de uma bióloga. A profissional realizará a análise e seleção para que sejam transferidos embriões com as características fenotípicas mais próximas possíveis do casal receptor. Isto é, cor dos olhos, da pele, cabelo, estatura etc.

Exames também permitem o rastreamento de doenças e um maior conhecimento sobre os ancestrais do material genético. É importante ressaltar que outros exames realizados quando essa doadora procura a clínica para fazer o seu tratamento, também fornecem informações sobre o seu perfil, o que dá ainda mais segurança para o processo.

Outra determinação do Conselho Federal de Medicina (CFM), é que não se recomenda a transferência em pacientes com mais de 50 anos.

“Depois de uma certa idade começa a aumentar os riscos durante a gravidez. Inclusive para a própria pessoa. Uma paciente de mais de 50 anos apresenta mais riscos de diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares e situações que a levem a, muitas vezes, não ter condições de ter uma evolução satisfatória daquela gestação. Em contrapartida, sua saúde também pode ficar comprometida”, explica o médico.

Como é feita a doação de embriões

A doação de embriões é possível porque há casais que, após realizarem uma fertilização in vitro (FIV), mantêm nas clínicas embriões congelados. Alguns, pretendem utilizá-los para outros tratamentos. No entanto, há aqueles que, ao engravidarem na primeira tentativa, optam por não terem mais filhos e autorizam a doação.

A lei brasileira determina a manutenção desses embriões nas clínicas de reprodução por, no mínimo, 3 anos. Passado esse tempo, pode-se fazer o descarte, a doação para procedimentos em outros casais ou, ainda, para pesquisa.

O mesmo acontece com os espermatozoides e óvulos que são congelados in vitro. A técnica de vitrificação não tem um limite de tempo, um prazo de validade. Há, inclusive, a expectativa de que o material possa durar até 20 anos.

Após a seleção do embrião, que vai levar em conta a sua compatibilidade com os pais, a paciente passa por um preparo para que possa recebê-lo. Cumprida essa etapa, um cateter é inserido na cavidade uterina para fazer a transferência. O médico acompanha o procedimento por meio de um ultrassom.

O número de embriões que podem ser transferidos varia de acordo com a idade da receptora. Mas, como explica o especialista do Centro, a melhor opção é sempre buscar a maior naturalidade possível. Isso evita efeitos colaterais como a gravidez múltipla e seus riscos, já que quanto mais, maior a chance de ela ocorrer.

A relação idade-quantidade segue a determinação do Conselho Federal de Medicina, que permite:

  • Até 35 anos: transferência de 2 embriões;
  • Dos 36 aos 39: transferência de 3 embriões;
  • Acima dos 40: transferência de 4 embriões.

O Centro de Reprodução Humana de Piracicaba está instalado no Hospital Santa Isabel, graças a uma parceria com a Santa Casa de Piracicaba.

Jornalista responsável: Arlete Maria Antunes de Moraes. MTB 0084412/SP.

Dr. Paulo Arthur Machado Padovani
Dr. Paulo Arthur Machado Padovani

Dr. Paulo Arthur Machado Padovani

Ginecologista | CRM 39.536
  • Formado pela Faculdade de Medicina de Jundiaí
  • Pós-graduado lato-sensu pela Faculdade de Medicina de Jundiaí e Associação Instituto Sapientiae
  • Especialista em ginecologia e obstetrícia, e habilitação em laparoscopia
  • Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
  • Possui título de Capacitação em Reprodução Assistida emitido pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
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