17 de setembro de 2020

Síndrome do Hiperestímulo Ovariano na reprodução assistida

Complicação é resultado de uma resposta exagerada do organismo ao estímulo para a fertilização.

A Síndrome do Hiperestímulo Ovariano é uma complicação que pode ocorrer nos tratamentos de reprodução assistida e é provocada pela resposta exagerada do organismo aos medicamentos usados para o estímulo da fertilização. Ela reúne um conjunto de sintomas e é caracterizada pela impossibilidade de os vasos sanguíneos manterem os medicamentos usados para o crescimento dos folículos (que “guardam” os óvulos) em seu interior.

O ginecologista, Dr. José Higino Ribeiro dos Santos Jr. (CRM 80.719), que integra a equipe do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba (CRHP), explica que há um aumento no tamanho dos ovários e o material dentro dos vasos sanguíneos extravasa, se acumulando entre os órgãos.

“O ovário responde, do ponto de vista hormonal, com um crescimento maior que o esperado. E a quantidade aumentada de estradiol, que é o hormônio produzido pelo folículo ovariano, altera a hipermobilidade dos vasos”, explica ele.

A fertilização em si é um hiperestímulo, mas o especialista em reprodução assistida consegue fazer o controle dele. “Na Síndrome do Hiperestímulo, na verdade, você perde um pouco esse controle”, explica o médico.

Uma das consequências disso para a saúde da paciente é a desidratação. O tratamento é feito colocando substâncias dentro da circulação para reverter o quadro. Ao detectar o hiperestímulo, o especialista em reprodução humana, não realiza a transferência do embrião e opta por congelá-lo para que possa ser usado quando o descontrole estiver resolvido.

De acordo com o ginecologista, essas alterações, com o tratamento adequado, se solucionam em 15 dias, desde que a paciente não esteja grávida quando se identifica o hiperestímulo, pois, neste caso, os sintomas podem perdurar por mais tempo.

“O pior dos casos é quando ela não apresenta sintomas. Você acha que está tudo bem, transfere o embrião e a paciente desenvolve a Síndrome do Hiperestímulo depois que está grávida. Ai a coisa fica mais complicada”, conta.

Os sintomas do hiperestímulo podem envolver distensão abdominal, dificuldade respiratória, diminuição da diurese, alteração dos exames do sangue e alteração da função renal, entre outros.

Quais são os fatores de risco?

O desenvolvimento da Síndrome depende da reposta de cada paciente ao estímulo do tratamento. Mas há um grupo com maior probabilidade de ter uma resposta exagerada. Nele estão pacientes com Síndrome do Ovário Policístico (SOP), pacientes com tendência à desidratação, com alguma patologia clínica, as que não consegue ter um trânsito de hipermobilidade muscular, que tem problema renal ou até que são muito magras. “Essas são situações que temos mais cuidado”, afirma ele.

O controle do hiperestímulo é feito por meio de exames, através da dosagem de estradiol e da avaliação da situação clínica da paciente.

“É relativamente raro, nos dias de hoje, porque estamos usando cada vez menos medicação, já que as técnicas de reprodução assistida têm ficado cada vez melhores no sentido de, com o menor número de óvulos, conseguir embriões com melhor qualidade”.

Além disso, o ginecologista ressalta, que a síndrome é estudada há mais de 20 anos e que os especialistas em reprodução humana, com experiência, têm todo o conhecimento para evitá-la e controlá-la.

O Centro de Reprodução Humana de Piracicaba está instalado no Hospital Santa Isabel, graças a uma parceria com a Santa Casa de Piracicaba.

Jornalista responsável: Arlete Maria Antunes de Moraes. MTB 0084412/SP.

Dr. José Higino Ribeiro dos Santos Jr.
Dr. José Higino Ribeiro dos Santos Jr.

Dr. José Higino Ribeiro dos Santos Jr.

Ginecologista | CRM 80.719
  • Formado em Medicina pela Unicamp
  • Especialista em videolasparocopia e videohisteroscopia pela Febrasgo
  • Residência médica especializada em reprodução humana assistida e Endoscopia ginecológica pela Unicamp.
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