8 de setembro de 2020

Especialista orienta sobre cuidados com alimentação antes, durante e depois da gestação

Quando se descobre que está grávida é muito comum ter dúvidas sobre a alimentação. Os cuidados antes, durante e depois da gravidez são essenciais tanto para a saúde da mãe, quanto do bebê. Por isso, comer bem e na quantidade certa é o que vai ajudar esse período a ser um momento mais tranquilo. É por isso que estar atenta a tudo o que é consumido é muito importante. Por outro lado, também não é necessário mudar radicalmente os hábitos – a não ser é claro, que eles sejam realmente prejudiciais para a saúde de ambos.

 

“Quando nós falamos de alimentação para a gestante, sempre dizemos que deve ser uma alimentação da mesma maneira que uma não gestante se alimenta. Ou seja, do jeito que a gente se alimenta normalmente, ou deveria se alimentar, de uma forma saudável e prazerosa”, explica a nutricionista clínica e esportiva Tamiris Bullo (CRN – 3 46818).

Isso quer dizer manter na rotina o café da manhã, o almoço e o jantar, priorizando tudo o que faz bem para a saúde e pode ajudar a grávida a ter uma gestação mais tranquila.

É claro, no entanto, que o momento pede uma dieta mais específica. E isso começa com a quantidade de refeições e calorias ingeridas.

Como explica a especialista, as mulheres passam a sentir mais fome quando estão grávidas e conseguem ficar menos tempo sem comer. Para driblar essa situação, elas podem fazer lanchinhos intermediários entre as refeições tradicionais. Tamiris aconselha que a cada três ou quatro horas se faça uma pausa para comer.

“Essa é a primeira coisa que recomendamos. Outra coisa que falamos é que é importante ela sempre ter em mãos frutas, barrinhas de cereais, castanhas…  esses lanchinhos práticos para que, no momento em que ela estiver na rua ou no escritório, consiga se alimentar e ter essa praticidade”.

A nutricionista alerta, no entanto, que a gestante precisa tomar cuidado com o excesso e lembrar sempre que ela deve comer “para dois” e não “por dois”. Ela observa que, durante o primeiro trimestre da gravidez, por exemplo, talvez o médico que acompanha a paciente estipule uma necessidade de consumo menor que 300 calorias extras por dia. Quando o metabolismo vai acelerando em decorrência da evolução da gravidez, a grávida passa a precisar de um aporte calórico maior e aí sim pode se aumentar essa quantidade.

“Consumir calorias além do que o bebê necessita para o seu crescimento é totalmente desnecessário” informa ela, justificando: “quando você ganha esse excesso de peso, tem mais dores nas costas, nas pernas, aumenta a fadiga, promove o aparecimento de varizes… o bebê, de tão grande, pode dificultar ou impossibilitar o nascimento por parto normal. Esse peso que se ganha a mais acaba ficando difícil de eliminar no pós-operatório”, frisa.

O que reforçar?

Uma boa alimentação para mulheres grávidas deve ter a adição ou reforço do consumo de frutas, legumes, verduras, proteínas e vitaminas, que são de grande importância para nutrição do feto. Essas substâncias vão se aliar as que são diariamente consumidas nas refeições fixas, e que são igualmente importantes nesse período.

Para quem está tentando a gravidez, a especialista ressalta que é importante fazer uso do ácido fólico, também conhecido como vitamina B9.

Essa vitamina do complexo B está presente em diversos itens da dieta diária e ganha reforço com cápsulas solúveis em água, por exemplo, que geralmente são indicadas pelo ginecologista para serem consumidas nos três meses anteriores ao início da gravidez.

A substância contribui para um bom desenvolvimento fetal e formação do tudo neural, além de proporcionar o fortalecimento do sistema imunológico, entre outras coisas.

As mulheres que nunca consumiram e descobrem a gravidez de forma inesperada, também podem fazer a ingestão nos primeiros três meses da gestação, conforme recomendação do seu médico.

Que alimentos devo evitar?

Além de manter uma dieta variada, é importante evitar alimentos embutidos e enlatados, ricos em carboidratos, pois estes contribuem para o desenvolvimento da diabetes gestacional. A doença, cuja a incidência vem aumentando entre as grávidas, atinge mulheres acima do peso, durante a gravidez e, se não adequadamente tratada, pode permanecer após a gestação.

É por isso que pacientes que ficam grávidas com excesso de peso, precisam tomar muito cuidado. Como explica Tamiris, elas vão ter menos liberdade para consumir certos tipos de alimentos, justamente por conta da tentativa de se evitar essa complicação ou outras relacionadas à pressão arterial, por exemplo.

Da mesma forma, mulheres que iniciam a gravidez abaixo do peso, vão precisar seguir uma dieta com maior ganho calórico. Nestes casos, elas precisaram tomar mais cuidado com os enjoos, comuns no início da gestação, pois contribuem para perda de peso.

Cada um dos extremos precisa ser acompanhado por profissionais para a correta orientação, porém, para todas, a regra é evitar o consumo de cafeína no primeiro trimestre. Caso se tenha muita vontade de consumir a bebida, a nutricionista recomenda os produtos que são descafeinados. Após o período, pode-se consumir de 1 a 2 xícaras de café por dia.

Bebidas alcoólicas estão fora de questão e as grávidas que não são fumantes ativas também não devem fumar de forma passiva, evitando ficar próximas da substância mesmo que ingeridas por outras pessoas.

Devo me preocupar com a alimentação no pós-parto?

Após o nascimento do bebê, as mamães não devem relaxar com a alimentação. Não apenas porque tudo o que for consumido terá impacto no leite materno, mas também porque a amamentação e o pós-parto são, ainda, períodos de grande entrega física e emocional para elas.

Ao amamentar, as mães perdem em torno de 300 a 500 calorias. Elas dormem menos, passam mais horas acordadas e suas rotinas sofrem alterações. Essas situações demandam ainda mais energia do corpo e da mente e a alimentação deve ser uma aliada para ela e seu bebê.

Novamente, buscar uma alimentação rica, variada e o mais natural possível é fundamental para dar com tranquilidade os primeiros passos nessa jornada da maternidade.

O Centro de Reprodução Humana de Piracicaba está instalado no Hospital Santa Isabel, graças a uma parceria com a Santa Casa de Piracicaba.

 

Jornalista responsável: Arlete Maria Antunes de Moraes. MTB 0084412/SP.

Revisado pela nutricionista clínica e esportiva, Dra. Tamiris Bullo (CRN – 3 46818).