19 de agosto de 2020

Casais homoafetivos femininos e maternidade

A reprodução assistida pode ajudar casais homoafetivos femininos através das técnicas de inseminação artificial (intrauterina) e da fertilização in vitro (FIV). A seguir, explicamos como funciona cada um dos procedimentos e suas indicações.

Inseminação Artificial (intrauterina): realiza-se a indução da ovulação em uma das parceiras e o sêmen de doador é injetado dentro do útero desta mulher.

Fertilização in vitro (FIV): estimulam-se os ovários de uma das mulheres e os óvulos coletados são fertilizados com os espermatozoides de um sêmen de doador.

Os embriões formados podem ser transferidos ao útero da própria mulher ou ao da parceira. Em casos que nenhuma das duas pode gestar a criança, também é possível recorrer à barriga solidária.

De quem é o sêmen doado?

O doador do sêmen não pode ser conhecido pelo casal. A escolha do material genético é feita através de um banco de sêmen após análise fenotípica das pacientes, que vai determinar características como cor de cabelo, estatura etc. A partir daí, inicia-se a busca para encontrar material que tenha semelhança física com as pacientes para dar continuidade ao tratamento.

Qual delas pode receber o embrião?

Conforme explica o ginecologista Dr. Paulo Arthur Machado Padovani (CRM 39.536), a preferência é que a parceira escolhida para receber o embrião e ter a gestação, seja a mais jovem. Quando as duas têm a mesma idade, geralmente uma faz a estimulação, colhe os óvulos, e a outra recebe esses embriões.

“O ideal é que quem fosse gestar, tivesse condições. Por exemplo, a época ideal para se ter bebê é dos 20 aos 28 anos. Acima dos 28 anos você começa a incidir em muitas patologias, como hipertensão, diabetes, problemas cardiovasculares etc. Então para todas essas perspectivas quanto menos idade, melhor para o desenvolvimento da gestação”, explica ele.

Qual tratamento é mais indicado?

A inseminação tem um custo menor que a fertilização, mas as taxas de sucesso giram em torno dos 15%. Já na fertilização, usando dois embriões, essa taxa sobe para 45%.

“O bom da fertilização é que com ela podemos conseguir mais folículos, podendo formar mais embriões, dando mais alternativas e aumentando as chances”, explica o especialista.

Outro benefício que a fertilização traz, é a possibilidade de realizar análise genética dos embriões para a transferência, o que aumenta a chance de sucesso nas transferências de embriões.

A fertilização também é o procedimento possível para pacientes que tenham alguma dificuldade para ter óvulos. Nessas situações é possível recorrer a um banco de óvulos para, com o sêmen, formar os embriões que serão transferidos ao útero dela ou da outra parceira. Essa é uma opção segura e muitas vezes de melhor prognóstico de sucesso.

Se ambas as mães apresentarem alguma impossibilidade de gestar o bebê, há a opção de realizar a FIV com uma cedente temporária de útero. Essa pessoa deve pertencer à família de uma das parceiras com parentesco consanguíneo até o quarto grau. Demais casos estão sujeitos à autorização do Conselho Regional de Medicina. Além disso, a cessão temporária do útero não pode ter caráter lucrativo ou comercial.

O Centro de Reprodução Humana de Piracicaba está instalado no Hospital Santa Isabel, graças a uma parceria com a Santa Casa de Piracicaba.

Jornalista responsável: Arlete Maria Antunes de Moraes. MTB 0084412/SP.

Dr. Paulo Arthur Machado Padovani
Dr. Paulo Arthur Machado Padovani

Dr. Paulo Arthur Machado Padovani

Ginecologista | CRM 39.536
  • Formado pela Faculdade de Medicina de Jundiaí
  • Pós-graduado lato-sensu pela Faculdade de Medicina de Jundiaí e Associação Instituto Sapientiae
  • Especialista em ginecologia e obstetrícia, e habilitação em laparoscopia
  • Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
  • Possui título de Capacitação em Reprodução Assistida emitido pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
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