7 de agosto de 2020

Casais homoafetivos e produção independente masculina

Como a reprodução assistida pode ajudar quem quer ser pai?

Homens que querem ser pais independentes ou casais homossexuais masculinos  que querem ter filhos podem recorrer a reprodução assistida para realizar esse desejo. “Os procedimentos hoje para isso estão acontecendo de uma maneira muito mais simples do que há  alguns anos atrás”, conta o Dr. Gustavo de Mendonça Borges (CRM/SP 94.121), que integra a equipe do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba (CRHP).

E é por meio da fertilização in vitro com a utilização de ovodoação e cessão temporária do útero que esses pacientes encontram uma alternativa para serem pais, mesmo não tendo relação sexual com uma mulher ou recorrendo a uma adoção.

O procedimento consiste em fertilizar o óvulo de uma doadora anônima com o sêmen do paciente e implantar o óvulo fecundado (embrião) no útero de uma outra mulher, que irá gestar o bebê.

A lei brasileira não permite que a cessão do útero seja paga. Portanto, o casal ou paciente deve comprovar juridicamente que essa pessoa aceita ser a receptora do embrião de boa-fé. Por isso, é que parentes ou amigas próximas, que tenham forte vínculo afetivo com os pacientes, são as escolhidas para gestar a criança.

De quem é coletado o sêmen?

No caso dos casais, após a avaliação do espermograma, se não houver nenhum impedimento, a escolha de quem vai ser coletado o material genético é feita entre eles, conforme explica Dr. Gustavo.

Já para os pacientes que apresentem algum problema, como não ter espermatozoide, ou até mesmo se o interessado não quiser doar o sêmen ou ainda, se for estéril, a opção é recorrer a  embriões doados.

Esses embriões (gerados por óvulos de uma doadora e sêmen de outro homem)  são implantados no útero da mulher que irá gestar a criança.

Quem pode doar óvulos?

Existem duas maneiras de conseguir óvulos doados e realizar a fertilização in vitro, mas sempre de maneira anônima (nem doadora nem receptores podem saber a identidade do outro).

A primeira das situações diz respeito a mulheres que fizeram tratamento e tiveram um grande número de  óvulos. Muitas vezes essa paciente consegue a gravidez sem utilizar todos os óvulos recuperados, que ficam congelados.  Após a gravidez, ela decide que o restante dos ovulos ou embriões que ficaram congelados não serão mais usados por ela e assim os disponibiliza para doação, autorizando que eles possam ser usados por outras pessoas.

A segunda condição é a doação compartilhada. É quando uma paciente jovem, com uma boa condição ovariana, quer ser mãe, mas não tem dinheiro para pagar o tratamento todo. A proposta é que ela divida os custos com alguém que não tem óvulos (outras mulheres, homens que querem produção independente, casais homoafetivos masculinos etc.), mas tem condições para dividir os custos do procedimento.

Ao aceitar a doação, ela é cadastrada para ovodoação e, quando encontrada uma receptora ou receptor  compatíveis, ambas as partes dividem o custo do   tratamento. Os óvulos são divididos entre as partes e ambas realizam o tratamento ao mesmo tempo, mantendo o anonimato entre si.

O que o pai pode saber sobre a doadora?

Apesar de não conhecer a pessoa que doou os óvulos ou embriões, o pai deve conhecer as suas características físicas como, por exemplo, cor do cabelo, da pele, olhos, tipo sanguíneo etc. Com essa parte definida, é feita a coleta de uma amostra do sêmen dele para realização do procedimento.

Por fim, a receptora do embrião, depois de cumprir as exigências já mencionadas pela lei, passa por exames clínicos para avaliar se há alguma contraindicação para engravidar (ter útero normal, não ter uma pressão muito alta, diabetes ou problemas hormonais etc.).

O Centro de Reprodução Humana de Piracicaba está instalado no Hospital Santa Isabel, graças a uma parceria com a Santa Casa de Piracicaba.

Jornalista responsável: Arlete Maria Antunes de Moraes. MTB 0084412/SP.

Gustavo de Mendonça Borges
Gustavo de Mendonça Borges

Gustavo de Mendonça Borges

Urologista | CRM/SP 94.121
  • Formado pela Faculdade de Ciências Médicas Unicamp
  • Pós-graduado em reprodução assistida
  • Membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia
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