5 de agosto de 2020

Quais são as principais dificuldades que as mães encontram na hora de amamentar?

Quando a mulher engravida, e aqui também podemos incluir o casal grávido, durante a gestação, a atenção fica mais focada na compra do enxoval, no tipo de parto, na escolha da maternidade, no desenvolvimento do bebê em si, entre outros itens. Dessa forma, por acreditar se tratar de puro instinto, muitas pessoas não se preparam para amamentar.

Após a chegada do bebê, os desafios na amamentação podem começar a aparecer. E pela minha experiência, como profissional da área, na maioria das vezes eles realmente aparecem.

Acredito, que de imediato, o principal fator que pode colaborar para que as dificuldades se intensifiquem nesse momento tão delicado e complexo da maternidade, é a falta da rede de apoio. Muitas vezes a puérpera encontra-se rodeada de pessoas, porém, sente-se sozinha em relação ao apoio e incentivo ao Aleitamento Materno.

Mas então, quais seriam as principais dificuldades que as mamães encontram na hora de amamentar? E como a rede de apoio pode ajudá-las a vivenciar essa fase de forma mais tranquila e prazerosa?

Vou elencar aqui algumas intercorrências que podem acontecer, principalmente nas primeiras semanas, após o nascimento do bebê:

 

– Ingurgitamento mamário:

Conhecido também como “mamas empedradas”, o ingurgitamento mamário consiste no acúmulo de leite materno nos alvéolos (onde ocorre a produção de leite), obstruindo os ductos e impossibilitando a saída do leite.

Geralmente ocorre após o parto, onde a produção e descida de leite materno independe da sucção do bebê (APOJADURA) ou quando em algum momento o leite não é extraído da mama devido a alguma dificuldade: pega e posição inadequadas, sucção ineficiente, intervalos muito longos sem amamentar. Mamas cheias nos primeiros dias após o parto é normal, porém a persistência do quadro requer atenção.

Os principais sintomas do ingurgitamento mamário são mamas cheias, edemaciadas, duras (tensas), brilhantes e quentes; mamilos achatados e tensos (na maioria das vezes dificulta a pega correta, ocorrendo dessa forma as fissuras mamárias); dor e calafrios.

Fissuras Mamárias:

Um dos principais desafios vivenciados por muitas mamães durante a fase da amamentação são as fissuras mamárias. Em geral elas aparecem nas primeiras semanas após o parto e estão relacionadas na maioria das vezes com o posicionamento inadequado e a pega incorreta do bebê ao seio.

As principais causas do aparecimento das fissuras mamárias são: bico invertido, mama ingurgitada (muito cheia e dura), frênulo lingual curto (linguinha presa), uso inadequado da bomba de tirar leite e do bico de silicone.

Mastite:

A mastite é uma inflamação nas glândulas mamárias que pode ser desencadeada através da pega incorreta do bebê durante a mamada. Geralmente é diagnosticada pela própria nutriz e ocorrem com maior frequência nos primeiros três meses de amamentação. Dependendo do caso pode ou não se tornar uma infecção bacteriana.

A mastite também pode advir do surgimento de fissuras e machucados, (“linguinha presa”), os quais podem ser a porta de entrada para que as bactérias se instalem na área inflamada.

Os principais sintomas de um quadro de mastite são: dor, vermelhidão, inchaço e calor nas mamas, febre e calafrios.

Se detectada no início, a mastite pode ser tratada através de cuidados locais, como a termo terapia (um especialista em amamentação deve ser consultado para fornecer orientação adequada) e analgésicos para auxiliar no desconforto. No caso de mastites com secreções e pus, o tratamento é feito com auxílio médico, sendo necessário o uso de antibióticos.
A mastite não impede a amamentação. Muitos dos medicamentos utilizados para o tratamento possibilitam que a mãe continue amamentando, pois não passam pelo leite nem afetam o bebê.

– Leite Fraco e insegurança

O leite materno é o alimento mais apropriado e indicado para você, mamãe, alimentar seu bebê. Porém, o MITO DO LEITE FRACO ainda deixa muitas mulheres que amamentam inseguras em relação à capacidade que têm de nutrir seus filhos.

Vamos deixar bem claro: NÃO EXISTE LEITE FRACO!!! O que existe, sim, são vários fatores que podem atrapalhar o Aleitamento Materno, deixando as mamães propensas a esse mito, se sentindo culpadas pelo insucesso da amamentação e até estimulando o desmame precoce.

O estresse atrapalha a produção de leite, especialmente a liberação de ocitocina, um dos principais hormônios da amamentação. Mãe cansada, sem apoio, insegura, com dor ou dificuldade para amamentar pode ter uma produção do leite diminuída.

Alimente o seu faminto recém-nascido de acordo com a demanda – ou seja, sempre que ele quiser. Ele não mamará muito em uma só mamada nos primeiros dias, pois seu estômago é muito pequeno. Por este motivo, inicialmente, ele vai querer mamar mais frequentemente.
A maioria dos recém-nascidos precisará de cerca de 10 a 12 mamadas em um período de 24 horas, ou uma alimentação a cada duas a três horas.
Para estabelecer e manter sua produção de leite mantenha o estímulo de sucção de seu bebê com certa frequência, sem pular as mamadas, principalmente as da madrugada, onde a quantidade do hormônio responsável pela produção de leite é liberada em maior quantidade (às vezes mamães cansadas deixam de amamentar e oferecem complemento em algumas mamadas).

Uma mãe segura e satisfeita, que amamenta sem desconforto, que recebe o apoio e ajuda de familiares, amigos e profissionais tem uma amamentação muito mais tranquila e prazerosa.

Lembra-se: a maioria das dificuldades encontradas na amamentação tem solução. Estamos juntos!

Caroline Guibal Ducatti
CRFª 2-15603
Fonoaudióloga e Consultora de Amamentação das empresas MameBebê e Meu Maternar

O Centro de Reprodução Humana de Piracicaba está instalado no Hospital Santa Isabel, graças a uma parceria com a Santa Casa de Piracicaba.