30 de julho de 2020

Disfunção ejaculatória: quais são as causas e que tratamentos auxiliam quem deseja ser pai?

Apesar de rara, a disfunção ejaculatória é um problema que pode interferir na fertilidade de homens e se caracteriza pela dificuldade ou incapacidade de ejacular durante a relação sexual, apesar do orgasmo. Uma das principais causas para o seu desenvolvimento é a ejaculação retrógrada, uma doença muito comum entre os diabéticos.

“A diabetes produz uma neuropatia, um defeito na inervação da bexiga.  Existe um músculo na saída da bexiga, que deve contrair na hora da ejaculação para que o esperma saia para fora e não vá para dentro da bexiga. O paciente diabético tem um defeito no fechamento deste músculo. Ele fica aberto e, na hora da ejaculação, o sêmen acaba refluindo para a bexiga”, conta o urologista Dr. Gustavo de Mendonça Borges (CRM/SP 94.121), que integra o Centro de Reprodução Humana de Piracicaba (CRHP).

Além do diabetes, há também outros motivos para a ocorrência de disfunção ejaculatória. Um deles é quando o paciente nasce sem as vesículas seminais, dois pequenos reservatórios, que ficam localizadas entre o fundo da bexiga e o reto e inclinadas acima da próstata.

Elas fazem parte do aparelho reprodutor masculino, assim como os testículos, o pênis, a próstata etc. São elas as responsáveis por produzirem a maior parte do líquido seminal, que irá se misturar ao líquido prostático e aos espermatozoides, formando, ao final, o sêmen.

“A vesícula seminal é uma bolsinha que produz 85% do líquido seminal que o homem ejacula. Então, se não tem a vesícula seminal, ele tem ejaculação, mas há um volume muito pequeno. Assim, não há ejaculação suficiente para produzir gravidez”, explica o Dr.

Outra situação, apesar de pouco prevalente, são pacientes que desenvolvem cistos dentro da próstata, os chamados cistos prostáticos. Esses cistos impedem o esperma de sair ao obstruírem o ducto ejaculatório.

“Geralmente esses são pacientes que tinham a ejaculação normal, não são diabéticos, mas o volume seminal foi diminuindo … [até acabar o sêmen]”, explica.

Por último, há os casos ainda mais raros: homens que têm trauma raquimedular porque sofreram algum acidente e fraturaram a coluna.

“[Nestes casos] eles não têm mais a possibilidade de ejaculação espontânea. Ela não vai acontecer por uma disfunção neurológica, que é mais grave”, pontua o especialista.

Tratamentos 

Para quem deseja ser pai, a disfunção ejaculatória pode interferir bastante. Por isso, os tratamentos são importantes. Eles, contundo, vão variar de acordo com a causa, conforme explica o urologista.

“Para o diabético, você pode usar medicamentos que tentam recuperar o fechamento do músculo na saída da bexiga, para ele voltar a ejacular. Isso dá certo mais ou menos em metade dos pacientes. Para aqueles em que isso não resolve, que não voltam a ejacular, é preciso recorrer ao tratamento de fertilização in vitro. Neste caso, nós pegamos o sêmen ou da urina ou direto de dentro do testículo ou epidídimo, através de punção com agulhas finas”.

Já no caso do cisto prostático, o caminho é fazer uma cirurgia para retirá-lo. O procedimento, segundo o médico, tem assertividade em acima de 90% dos casos. Para os homens com lesão raquimedular ou que nasceram sem as vesículas seminais, a fertilização é o tratamento que pode dar resposta ao problema.

Por fim, Dr. Gustavo ressalta que é importante que o homem observe se com o tempo o volume do ejaculado têm diminuído. Ao perceber qualquer alteração, deve-se procurar um médico para analisar o caso.

“Tem paciente que não ejacula e ao ir ao urologista acaba recebendo o diagnóstico de “que não há solução para o problema”, mas não é porque ele não tem esperma no ejaculado que ele não tem produção de espermatozoide e que, com o auxílio da reprodução assistida, não consigamos ajudá-lo com o objetivo de ser pai”, conclui.

O Centro de Reprodução Humana de Piracicaba está instalado no Hospital Santa Isabel, graças a uma parceria com a Santa Casa de Piracicaba.

Jornalista responsável: Arlete Maria Antunes de Moraes. MTB 0084412/SP.

Gustavo de Mendonça Borges
Gustavo de Mendonça Borges

Gustavo de Mendonça Borges

Urologista | CRM/SP 94.121
  • Formado pela Faculdade de Ciências Médicas Unicamp
  • Pós-graduado em reprodução assistida
  • Membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia
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