1 de julho de 2020

Posso escolher o sexo do bebê?

Essa é uma dúvida comum entre quem procura informação sobre reprodução assistida na internet. No entanto, a escolha do sexo da criança, apesar de tecnicamente possível, não é permitida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). A exceção é quando há a presença de doença genética relacionada ao cromossomo sexual, ou seja, quando há a possibilidade de uma menina desenvolver doença e um menino não (ou vice-versa).

O ginecologista e Diretor do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba (CRHP), Dr. Paulo Arthur Machado Padovani (CRM 39.536), explica que existe um consenso ético entre a comunidade médica envolvida na reprodução assistida no Brasil e no mundo, de que a escolha do sexo da criança não deve ser feita, mesmo a pedido dos pais, quando não há o diagnóstico de doença relacionada ao sexo.

“Toda a sociedade que participa da reprodução assistida não concorda com esse tipo de indicação e nós também não”, informa ele.

A determinação aparece na Resolução 1.358/92, do Conselho Federal de Medicina (CFM), que proíbe a aplicação de técnicas de reprodução assistida com o objetivo de selecionar o sexo ou qualquer outra característica biológica do futuro filho.

O consenso ético em torno do assunto envolve inúmeras razões, como, por exemplo: equilíbrio demográfico entre sexos no futuro e utilização da medicina como instrumento para discriminação. Há culturas, por exemplo, em que o sexo masculino é mais valorizado que o feminino. “[a desvalorização de um sexo em detrimento do outro] é o tipo de coisa que conceitualmente nós não concordamos”, explica o diretor do Centro.

Detecção de doenças genéticas

Atualmente é possível examinar o embrião para a detecção de doenças. O diagnóstico genético pré-implantacional (PGD) é utilizado durante a fertilização in vitro (FIV) – tratamento indicado para inúmeros problemas graves que levam a infertilidade, como alterações tubárias, endometriose, baixa qualidade dos óvulos e alteração importante dos espermatozoides.

O PGD permite identificar nos óvulos fertilizados, os cromossomos Y e X, possibilitando a escolha daqueles que serão implantados no útero.

O exame é indicado durante a consulta. Ele é realizado de acordo com o desejo do casal, principalmente, quando a paciente possui histórico de alteração genética na família, abortamentos de repetição ou tem mais de 36 anos.

O procedimento funciona assim: “se desenvolve o embrião até o quinto dia, quando ele está na forma de blastocisto. Aí é feita a coleta de algumas células do embrião e realizada uma análise genética. A coleta é feita através de um laser. Colhe-se esse material, leva para o laboratório de genética e isso me dá um diagnóstico”, explica o médico.

Um dos motivos para realizar o PGD durante o tratamento de fertilização in vitro é a presença da hemofilia, problema decorrente da herança ligada ao sexo pelo cromossomo X e que provoca incapacidade de coagulação sanguínea.

“Uma pessoa hemofílica pode apresentar sangramentos prolongados mesmo em pequenos ferimentos, além de ter grandes riscos de hemorragia interna”.

A hemofilia pode ser do tipo “A” (mais frequente (85%)) e “B”. Ela pode ser tratada por meio da reposição dos fatores de coagulação e é gerada pelos alelos recessivos (isto é: para manifestar a doença precisa dos alelos duplamente recessivos (aa)) ligados ao cromossomo “Xh” ou “h” herdados da mãe. Os homens portadores de hemofilia passarão esse gene para as filhas e não para os filhos.

Escolha do sexo x concepção natural

Apesar de haver teorias que afirmam ser possível escolher o sexo do bebê por meio de métodos não tecnológicos, Dr. Paulo explica que não há comprovação científica de que elas funcionem.

Essas teorias se baseiam em diferenças fisiológicas entre os espermatozoides “X” e “Y” e na crença de que seria possível criar um ambiente mais propício para cada um dos gêneros.

Também as que sugerem que a posição sexual, o dia da relação sexual em relação à ovulação, o ambiente vaginal, entre outras situações, influenciaria na escolha do sexo do bebê em uma concepção natural, não têm respaldo científico.

O Centro de Reprodução Humana de Piracicaba está instalado no Hospital Santa Isabel, graças a uma parceria com a Santa Casa de Piracicaba.

Jornalista responsável: Arlete Maria Antunes de Moraes. MTB 0084412/SP.

Dr. Paulo Arthur Machado Padovani
Dr. Paulo Arthur Machado Padovani

Dr. Paulo Arthur Machado Padovani

Ginecologista | CRM 39.536
  • Formado pela Faculdade de Medicina de Jundiaí
  • Pós-graduado lato-sensu pela Faculdade de Medicina de Jundiaí e Associação Instituto Sapientiae
  • Especialista em ginecologia e obstetrícia, e habilitação em laparoscopia
  • Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
  • Possui título de Capacitação em Reprodução Assistida emitido pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
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