28 de maio de 2020

Mortalidade Materna: causas e como prevenir

28 de maio é o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher

A mortalidade materna é o óbito provocado por complicações causadas pela gravidez ou agravadas por ela, durante a gestação, parto ou até 42 dias após. Hipertensão (pré-eclâmpsia e eclampsia), hemorragia e infecção são as principais causas do problema.

Segundo informação divulgada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), atualizada em agosto de 2018, cerca de 830 mulheres morrem todos os dias por complicações relacionadas à gravidez ou ao parto no mundo. Apesar da quantidade de casos, 92% das causas são evitáveis e a principal forma de prevenção é o pré-natal, pois permite identificar doenças ou complicações resultantes delas.

Patologias e fatores de risco

As hemorragias são causadas sobretudo por patologias placentárias, ruptura uterina durante o parto e a não contração do útero após o nascimento do bebê. Já as infecções podem ocorrer devido à restos placentários, a entrada de bactérias na cavidade do endométrio e em mulheres que, durante o trabalho de parto, tiveram perda de líquido amniótico e não utilizaram antibiótico após 12h.

As patologias placentárias incluem placentas que estão implantadas na parte mais baixa ou que invadem o tecido do útero e a que se descola prematuramente. Cada uma dessas situações pode levar a hemorragia e a infecção e acontecem por razões diferentes.

O descolamento prematuro da placenta tem como principal fator de risco a hipertensão. Já a placenta baixa está relacionada a cesariana prévia. O acretismo placentário, condição que envolve a fixação e invasão anormal do tecido do útero e que, em alguns casos, pode invadir órgãos próximos, como a bexiga, tem como fatores condicionantes as cesarianas anteriores e a placenta baixa. Neste caso, também pode ocorrer infecção devido à dificuldade de remover a placenta, já que ela está anormalmente fixada ao útero.

Mulheres que possuem esse histórico devem ficar atentas ao problema e investigá-lo durante o pré-natal. O acompanhamento médico do contexto clínico da paciente permite que a gestante receba o tratamento adequado à esta grave condição. A situação também pode demandar o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar para abordar a mãe após o parto. As hemorragias podem ocasionar o desenvolvimento de anemias, além de outras complicações. Já as infecções, podem evoluir para um quadro generalizado, atingindo outros órgãos. Por isso, é importante tratá-las rapidamente.

Prevenção

Além do pré-natal, que pode identificar muitas dessas situações e garantir que elas sejam devidamente acompanhadas, cuidados antes, durante e após o parto, ajudam a salvar a vida das mães e dos bebês.  Como medidas preventivas é importante ressaltar o controle da pressão arterial, tratamento de anemias, diminuição do peso, acompanhamento do diabetes e tratamento de infecção urinária.

Durante a gravidez, ao perceber sinais como dor de cabeça ou dor na nuca, visão turva, sangramento pela vagina ou febre, é necessário buscar ajuda com rapidez. Outros sinais que também devem servir de alerta, são inchaço nas pernas ou braços, corrimento ou secreção vaginal com odor desagradável e ardor ao urinar.

Redução de Cesáreas

A redução de cesáreas e o aconselhamento sobre os benefícios do parto normal são ações que podem contribuir para a redução da mortalidade materna. Isto porquê, quando bem indicada – e são muitas e variadas as situações -, a cesárea pode salvar vidas, mas como qualquer cirurgia, ela apresenta riscos por envolver procedimentos mais invasivos.

De acordo com o Dr. Dr. Ernesto Valvano  (CRM/SP 48.716), ginecologista que integra a equipe do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba (CRHP), a participação da mulher, sendo ouvida nas decisões sobre o parto, é uma das mudanças que tem ajudado a diminuir o número de cesáreas.

“Atualmente, com o protagonismo da mulher, vem aumentando a procura pelo parto normal. Muitas têm se preparado através de fisioterapia pélvica e outros exercícios buscando incentivo a esse tipo de parto. É importante ressaltar que em alguns casos, onde pode ocorrer risco para mãe ou bebê, o parto por cesariana é indicado. O incentivo ao parto normal se baseia no fato de ele ser um evento fisiológico, com menor risco de infecção e menor tempo de recuperação”, explica o ginecologista.

O Centro de Reprodução Humana de Piracicaba está instalado no Hospital Santa Isabel, graças a uma parceria com a Santa Casa de Piracicaba.

Jornalista responsável: Arlete Maria Antunes de Moraes. MTB 0084412/SP.

Dr. Ernesto Valvano
Dr. Ernesto Valvano

Dr. Ernesto Valvano

Ginecologista | CRM/SP 48.716
  • Formado pela Faculdade de Medicina São José do Rio Preto
  • Especialista em ginecologia obstetrícia
  • Pós-graduado em Reprodução Humana Assistida
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