13 de maio de 2020

Congelamento de óvulos é opção para retardar a gravidez

Procedimento ajuda quem quer ser mãe no futuro por escolha profissional ou saúde

Mulheres jovens que desejam ter filhos no futuro podem contar com a ajuda da medicina reprodutiva para realizar esse objetivo. As técnicas de congelamento de óvulos estão cada vez mais avançadas. Gestações ocorrem com sucesso com óvulos congelados há mais de 10 anos. Esse avanço impacta principalmente mulheres que, sejam por razões profissionais ou até por motivos de saúde, decidem adiar a gravidez para depois dos 35 anos.

Para quem deseja ser mãe, a idade tem papel fundamental. Isto porque, aos 25 anos, as chances de conseguir uma gravidez naturalmente é de 85%. De 31 a 35 anos e aos 40, a taxa reduz para 50% e, de 41 a 42 anos, esse número cai para 20%, chegando a 1% na faixa etária de 43 a 45 anos. Nesse sentido, o congelamento de óvulos é muito importante para quem pretende prorrogar o tempo para ser mãe. O procedimento é simples e não provoca grandes mudanças na rotina da paciente.

De acordo com o Dr. Gustavo de Mendonça Borges, urologista pós-graduado em reprodução assistida, (CRM/SP 94.121), se a paciente é saudável e não tem nenhum tipo de alteração hormonal grave, em um ou dois meses é possível fazer os exames necessários e realizar o congelamento. O tratamento todo, dura em torno de 15 dias.

Como funciona

Assim que menstrua, a mulher é orientada a tomar medicamentos que vão induzir a ovulação. Os medicamentos são usados por cerca de 10 dias e é necessário realizar de 3 a 4 exames de ultrassom nesse período. Nessas consultas, o médico também realiza a avaliação da paciente e faz o ajuste da dose dos medicamentos quando necessário.

“Ela não precisa mudar nada na rotina durante a indução da ovulação. Apenas terá que comparecer na clínica a cada três dias. Perto do 14º dia do ciclo, fazemos a retirada dos óvulos. A remoção é feita no Centro de Reprodução e a paciente é sedada, enquanto realizamos o procedimento guiado pelo equipamento de ultrassom”, explica o Dr. Gustavo.

Após captado, o material é avaliado e selecionado. No mesmo dia, os óvulos são congelados. As células serão descongeladas e fertilizadas in vitro quando a mulher decidir que quer tentar a gravidez.

Após o procedimento, a paciente faz repouso durante duas ou três horas e então é liberada. A partir do dia seguinte, ela já pode voltar a realizar atividades, como caminhar, dirigir e executar serviços leves. A volta à atividade física só deve acontecer cinco dias após o procedimento.

Indicações e contraindicações

Além de ser uma opção para as mulheres que desejam prorrogar o tempo para se tornarem mães, já que é cada vez mais comum elas programarem a gravidez para depois dos 35 anos, o congelamento de óvulos também é indicado para pacientes que tenham risco de perder o ovário devido à cirurgias muito invasivas (como nos casos de endometriose), que passarão por tratamentos agressivos como a quimioterapia – nestas situações, às vezes, é possível fazer a retirada de emergência das células – ou ainda que tenham histórico de menopausa precoce na família.

O congelamento de óvulos tem poucas contraindicações, podendo ser realizado na maioria das mulheres jovens. Antes da realização do procedimento são feitos exames que avaliam a presença de alguma condição clínica que o impossibilite.

A fertilização pode ser menos efetiva em pacientes obesas e entre aquelas que já fizeram algum tratamento prévio de endometriose, as que possuem disfunção hormonal ovariana ou tireoide. O melhor momento para a retirada dos óvulos para congelamento é até os 35 anos, pois a qualidade e a quantidade das células reprodutivas femininas são maiores nessa fase.

O Centro de Reprodução Humana de Piracicaba está instalado no Hospital Santa Isabel, graças a uma parceria com a Santa Casa de Piracicaba.

Jornalista responsável: Arlete Maria Antunes de Moraes. MTB 0084412/SP.

Gustavo de Mendonça Borges
Gustavo de Mendonça Borges

Gustavo de Mendonça Borges

Urologista | CRM/SP 94.121
  • Formado pela Faculdade de Ciências Médicas Unicamp
  • Pós-graduado em reprodução assistida
  • Membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia
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