29 de abril de 2020

Dia Nacional de Combate à Hipertensão Arterial

Os riscos da hipertensão na gestação; saiba como se prevenir 

26 de abril foi o Dia Nacional de Combate à Hipertensão Arterial, data que busca a conscientização da população sobre os sintomas, fatores de risco e as implicações da doença. Segundo dados preliminares do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde de 2019, em 2017, o Brasil registrou 141.878 mortes devido à hipertensão ou a causas atribuíveis a ela.

O número, é um alerta que enfatiza ainda mais a importância dos hábitos de vida saudáveis e do acompanhamento médico não apenas na população em geral, como também, entre as gestantes e futuras mamães. Em 2015, o país registrou 62 mortes por 100 mil nascidos vivos. Já em 2016, foram mais de 64 óbitos de gestantes por 100 mil, de acordo com o Ministério da Saúde.

Para reduzir esses números e evitar as graves complicações que a doença pode representar para o sucesso da gestação, é fundamental cuidar muito bem da alimentação, praticar atividades físicas regularmente e também não esquecer da importância do pré-natal.

A seguir, o Diretor Responsável pelo Centro de Reprodução Humana (CRHP), Dr. Paulo Arthur Machado Padovani (CRM 39.536), explica quais são as doenças provocadas pela hipertensão na gravidez e como se prevenir.

  • O que é hipertensão?

Um quadro de hipertensão é diagnosticado quando o paciente apresenta níveis de pressão diastólica – menor valor verificado durante aferição de pressão arterial (pressão mínima) – superior ou igual a 90mm.  Nesta condição, a pressão que o sangue naturalmente faz ao ser transportado pelo interior dos vasos sanguíneos (pressão arterial) é tão intensa que provoca lesões nas paredes das artérias.

Essas lesões as tornam mais rígidas e estreitas, facilitando o acúmulo de gordura e a formação de coágulos. Isso pode levar ao entupimento das artérias e, consequentemente, ao infarto. Dependendo do quadro, o paciente também pode sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou até mesmo desenvolver insuficiência renal.

Embora a doença seja geralmente assintomática, quando a pressão sobe muito, podem ocorrer sintomas como dores no peito, dor de cabeça, tonturas, zumbido no ouvido, fraqueza, visão embaçada e sangramento nasal.

De acordo com o Dr. Paulo Padovani, o diagnóstico correto da hipertensão é extremamente importante, pois a pressão arterial pode aumentar devido às situações de estresse e tensão emocional, retornando ao normal logo depois. Afastadas essas situações, o médico pode avaliar com maior clareza a presença do quadro hipertensivo no paciente.

Vários fatores podem levar ao desenvolvimento da doença. Entre eles, problemas renais, alimentares, excesso de sódio, consumo de bebidas alcoólicas, estresse, fumo, falta de atividade física etc.

Numa gestação, a hipertensão pode provocar o mau desenvolvimento da placenta e a dificuldade da passagem do oxigênio da mãe para o bebê.

O problema pode ocorrer em pacientes que já apresentavam o quadro antes do início da gestação – culminando num novo tipo de hipertensão – e também naquelas que nunca tiveram o quadro hipertensivo. São as chamadas Doença Hipertensiva Específica da Gestação (DHEG) e a Hellp Síndrome. Em mulheres saudáveis, essas complicações surgem no decorrer da gravidez, por volta do segundo e terceiro mês de gestação.

“Em geral, dos 20 aos 28 anos, é o período ideal para ter bebês porque estes fatores dificilmente vão ocorrer. A hipertensão superajuntada na gravidez e a doença hipertensiva específica da gestação é mais incidente em pessoas abaixo dos 20 anos e acima dos 28 anos. Quanto mais idade, mais chances de desenvolvê-la, bem como problemas metabólicos, diabetes, problemas cardiovasculares e outros inerentes da gestação que podem comprometer o sucesso da gravidez”, explica o Diretor Responsável pelo Centro de Reprodução Humana (CRHP).

  • Pré-eclâmpsia e eclampsia  

Uma paciente diagnosticada com a DHEG vai apresentar sintomas que incluem, além da pressão alta, edema e perda excessiva de proteínas através da urina (proteinúria). Quando apenas esses três sintomas são identificados, a gestante é diagnosticada com pré-eclâmpsia. O tratamento dela inclui uma dieta alimentar equilibrada, medicamentos e repouso para controlar o problema.

Mulheres com menos de 20 anos que começam apresentar ganho de peso excessivo ou níveis diastólicos alterados, devem dar ainda mais atenção ao problema no pré-natal, fazendo o acompanhamento e, se necessário, iniciando o tratamento com medicamentos.

Um diagnóstico tardio ou a desobediência às orientações passadas, pode provocar a evolução do quadro para a eclampsia – situação caracterizada pelo surgimento do coma e das convulsões somados aos demais sintomas da pré-eclâmpsia. Neste caso, a interrupção da gestação tem que ser avaliada dependendo do quadro geral da paciente e do bebê para preservar a vida da mãe.

Em alguns casos, a hipertensão na gestação também pode levar ao desenvolvimento da Hellp Síndrome, que se caracteriza pela possibilidade de a paciente com hipertensão desenvolver lesão hepática. Nesse caso, há um aumento das enzimas hepáticas, que além de risco para o feto, pode culminar com a coagulação intravascular disseminada (CIVD).  Ela pode trazer graves consequências à gestação, podendo levar grande risco a saúde da mãe.

  • Prevenção e cuidados

A origem da Doença Hipertensiva Específica da Gestação está ligada a uma reação complexa que provoca o fechamento das arteríolas (pequenos vasos sanguíneos), responsáveis por regular a resistência ao fluxo sanguíneo e, consequentemente, a pressão sanguínea periférica.

De acordo com o Dr. Paulo Padovani, a precaução deve começar antes da gravidez. No Centro de Reprodução Humana, anteriormente a qualquer tratamento, a paciente é orientada sobre todos os cuidados necessários para ter uma gestação segura e, inclusive, sobre a influência da idade na gravidez. Quanto mais acima dos 28 anos a paciente estiver, maior a chance do desenvolvimento de problemas metabólicos, hipertensão, diabetes, coagulação intravascular disseminada (CIVD) ou até mesmo trombose. Essas implicações podem gerar risco à vida da mãe e do bebê.

“Nós, do Centro, recebemos muitas pacientes acima dos 35 anos e muitas delas não têm a consciência que a gravidez nessa idade precisa de um pré-natal muito bem feito e de cuidados com a alimentação.  Se estiver acima do peso, a paciente deve primeiro voltar ao peso normal para ter menos chances de desenvolver uma complicação. É preciso também manter uma alimentação adequada e realizar atividade física. Esses são os hábitos saudáveis para quem cogita uma gravidez após os 28 ou 35 anos”, orienta ele.

Adotar uma dieta rica em ômega-3, com legumes, verduras e frutas o mais orgânicas o possível, manter o consumo regular de peixes, principalmente da água do mar, e evitar o estresse provocado por preocupação excessiva, má alimentação e privação de sono, entre outros, é o passaporte para uma gestação mais tranquila e segura. Portanto, aproveite a data para se conscientizar e comece agora a se cuidar.

O Centro de Reprodução Humana de Piracicaba está instalado no Hospital Santa Isabel, graças a uma parceria com a Santa Casa de Piracicaba.

Jornalista responsável: Arlete Maria Antunes de Moraes. MTB 0084412/SP.

Dr. Paulo Arthur Machado Padovani
Dr. Paulo Arthur Machado Padovani

Dr. Paulo Arthur Machado Padovani

Ginecologista | CRM 39.536
  • Formado pela Faculdade de Medicina de Jundiaí
  • Pós-graduado lato-sensu pela Faculdade de Medicina de Jundiaí e Associação Instituto Sapientiae
  • Especialista em ginecologia e obstetrícia, e habilitação em laparoscopia
  • Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
  • Possui título de Capacitação em Reprodução Assistida emitido pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
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