12 de novembro de 2019

Qual o limite de idade para ter filhos com a ajuda da medicina?

O caso de uma auxiliar de enfermagem, do Paraná, que no final de outubro teve o primeiro filho aos 61 anos por meio de fertilização in vitro, trouxe à tona um antigo questionamento: qual o limite de idade para engravidar com a ajuda da medicina reprodutiva? De acordo com a Resolução 2.168/2017 do Conselho Federal de Medicina, a idade máxima das candidatas à gestação por técnicas de reprodução assistida é de 50 anos.

“As exceções a esse limite serão aceitas baseadas em critérios técnicos e científicos, fundamentados pelo médico responsável, quanto à ausência de comorbidades da mulher e após esclarecimento à candidata quanto aos riscos a que ela e os descendentes eventualmente gerados a partir da intervenção estarão sujeitos, respeitando-se a autonomia da paciente”, detalha a resolução.

As normas também determinam que as técnicas de reprodução assistida podem ser utilizadas desde que exista probabilidade de sucesso e não se incorra em risco grave de saúde para a paciente ou para o possível descendente.

Para o ginecologista Paulo Padovani, diretor do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba, cada caso deve ser analisado de forma individual, sempre levando em conta que a idade estabelecida pela resolução tem como base o relógio biológico e as limitações que aparecem conforme a idade da mulher.

“Ao avaliar a viabilidade e os riscos de uma gravidez tardia é preciso levar em consideração a possibilidade de problemas cardiovasculares e metabólicos, que podem gerar hipertensão e diabetes específicos da gestação, por exemplo”, alerta. “Também precisamos verificar se a paciente tem condições para levar a gravidez até o final, sem riscos para ela e para o feto”, acrescenta.

Padovani destaca que a gravidez tardia__ a partir dos 35 anos__ requer uma atenção especial para garantir a segurança tanto da mãe quanto do bebê. De acordo com o médico, a partir desta idade, aumentam os riscos de diabetes gestacional, hipertensão específica da gravidez, abortamentos e prematuridade.  “Quando a mulher tem idade superior a 35 anos, o ideal é que o planejamento da gravidez e o pré-natal sejam acompanhados por obstetra que tenha experiência com pacientes nesta idade”, ressalta.

Nestes casos, a gestante poderá passar por mais consultas durante o pré-natal e fará exames adicionais. “Deverá fazer todos os meses um exame de glicemia em jejum para dosar o nível de açúcar no sangue e, por volta de 28 semanas de gestação, um teste de tolerância à glicose, além de controlar a pressão arterial”, afirma.

Jornalistas responsáveis: Flávia Paschoal/Marisa Massiarelli Setto – Toda Mídia Comunicação

Dr. Paulo Arthur Machado Padovani
Dr. Paulo Arthur Machado Padovani

Dr. Paulo Arthur Machado Padovani

Ginecologista | CRM 39.536
  • Formado pela Faculdade de Medicina de Jundiaí
  • Pós-graduado lato-sensu pela Faculdade de Medicina de Jundiaí e Associação Instituto Sapientiae
  • Especialista em ginecologia e obstetrícia, e habilitação em laparoscopia
  • Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
  • Possui título de Capacitação em Reprodução Assistida emitido pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
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