29 de outubro de 2019

Tive câncer. Posso ter filhos?

Após a superação do câncer, mulheres que ainda são jovens decidem que é a hora de retomar antigos projetos de vida. Neste momento, surge a dúvida: será que posso ter filhos? O ginecologista José Higino Ribeiro dos Santos Junior, da equipe do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba, esclarece que a medicina reprodutiva oferece algumas alternativas para as que desejam tentar ter filhos de forma natural.

O ideal é que, após a liberação por parte do oncologista, a paciente busque orientação em uma clínica de reprodução humana, onde passará por avaliação clínica e terá o encaminhamento para exames, que vão verificar se a fertilidade foi comprometida durante o tratamento do câncer ou não.

 “Cada caso é único e precisa ser avaliado. Há pacientes que passam pelo tratamento do câncer e não têm a fertilidade totalmente comprometida. Nestes casos, tratamentos simples, com estimulação ovariana e coito programado, podem ser suficientes para resultar em gravidez”, afirma o ginecologista. Ele explica que quando houve o comprometimento da fertilidade, ainda há a possibilidade de tentar a fertilização de in vitro e, em casos mais complexos, a fertilização in vitro com óvulos doados.

De acordo com o ginecologista, a paciente que conseguiu congelar óvulos antes de iniciar o tratamento do câncer deve seguir a orientação de seu oncologista sobre o prazo de espera para tentar uma gravidez. Quando a mulher estiver liberada e decidir que é o momento de ter filhos, os óvulos serão descongelados e fertilizados in vitro. Após a formação, os embriões são implantados no útero.

Paciente que tem oportunidade deve congelar óvulos

 “Com o avanço da medicina, a chance de cura do câncer é muito grande, principalmente nos casos de mama e, por isso, precisamos pensar sempre no futuro das pacientes, preservando a fertilidade das que querem, um dia, ter filhos”, afirma o ginecologista José Higino Ribeiro dos Santos Junior. Ele explica que a quimioterapia e a radioterapia podem fazer com que exista a perda da função uterina, além da destruição parcial ou total da reserva de óvulos, provocando a infertilidade.

O ginecologista destaca a importância de que, após o diagnóstico, a paciente jovem, em idade fértil, receba a orientação do oncologista, em conjunto com um médico que atue na área de reprodução humana, para que preserve a sua fertilidade, garantindo a possibilidade de tentar ter filhos no futuro. “O tempo entre o diagnóstico do câncer e o início da quimioterapia ou da radioterapia costuma ser suficiente para a coleta e congelamento de óvulos, sem comprometer o tratamento contra a doença”, informa.

Jornalistas responsáveis: Flávia Paschoal/Marisa Massiarelli Setto – Toda Mídia Comunicação

Dr. José Higino Ribeiro dos Santos Jr.
Dr. José Higino Ribeiro dos Santos Jr.

Dr. José Higino Ribeiro dos Santos Jr.

Ginecologista | CRM 80.719
  • Formado em Medicina pela Unicamp
  • Especialista em videolasparocopia e videohisteroscopia pela Febrasgo
  • Residência médica especializada em reprodução humana assistida e Endoscopia ginecológica pela Unicamp.
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