3 de outubro de 2019

Endometriose é problema de saúde pública

Doença que atinge aproximadamente 6 milhões de mulheres no Brasil e 1,76 trilhão de mulheres no mundo, a endometriose já pode ser considerada um problema de saúde pública. O número de casos supera os registros de hipertensos, que somam 1,1 trilhão no mundo, e de diabéticos, que são 422 milhões.

Afinal, que doença é esta? O ginecologista Ernesto Valvano, da equipe do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba, explica que a endometriose se caracteriza pela presença de focos do endométrio (tecido que reveste o interior do útero) fora do útero, podendo atingir o peritônio (membrana que cobre a superfície interior da parede abdominal), trompas, ovários, intestino, bexiga, e, em casos menos comuns, até pulmão e nariz.

Afeta aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva e é responsável por 20% dos casos de infertilidade feminina. A doença é crônica, mas os tratamentos adequados garantem qualidade de vida à paciente.

“Quanto mais cedo identificada e tratada, menos comprometerá a vida reprodutiva da mulher”, destaca o ginecologista.

Valvano explica que o diagnóstico deve ser feito por especialista com base na história clínica, sintomas da paciente, além de exames, como a ultrassonografia específica e, se for o caso, ressonância magnética.

 

Quais são as causas e os sintomas da doença?

A dor costuma ser o principal sintoma da endometriose. Valvano detalha que muitas pacientes apresentam cólicas menstruais fortes, que não melhoram com o uso da pílula e dor na relação sexual.  A lista de sintomas também pode incluir dor difusa ou crônica na região pélvica, fadiga crônica, sangramento menstrual intenso ou irregular, alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação, dificuldade para engravidar e infertilidade.

“Em alguns casos, a endometriose é assintomática e a mulher só descobre que tem o problema quando decide ter filhos e não consegue engravidar”, ressalta o ginecologista.

 As causas da doença ainda são desconhecidas para a medicina. Uma das teorias é relacionada ao fator imunológico. Na mulher com endometriose, as células natural killer ___ responsáveis pela defesa do organismo ___não estariam cumprindo sua função. Outra versão é de que a doença seria provocada no desenvolvimento embrionário (período compreendido entre a fecundação e o nascimento).

Outra explicação é que nestas pacientes ocorrem alterações epigenéticas, com lesões no DNA das células, desencadeadas, principalmente, pelo estresse.

De acordo com Valvano, normalmente, a endometriose é causada por um refluxo menstrual, em que parte do tecido que deveria ser expelido durante a menstruação desce pelas trompas e cai na cavidade abdominal. Em algumas mulheres, o corpo absorve. Em outras, não.

 

Como é o tratamento?

O tratamento da endometriose pode ser clínico, cirúrgico ou uma associação dos dois.

“Sempre é preciso que haja a interrupção da menstruação por meio de medicação. O uso deve ser suspenso apenas quando a mulher deseja engravidar”, declara Valvano.

Os médicos também sugerem acompanhamento psicológico para as pacientes. Isto porque estudos apontam que entre as mulheres que desenvolvem a doença, a maioria é perfeccionista e introspectiva.

“Não há prevenção e nem cura para a endometriose. A doença pode ser controlada, o que exige bom diagnóstico e orientação terapêutica”, ressalta Valvano.

Quando a endometriose atrapalha a fertilidade da mulher, os tratamentos de reprodução humana auxiliam para que ela possa ter filhos.

 

Jornalistas responsáveis: Flávia Paschoal/Marisa Massiarelli Setto – Toda Mídia Comunicação

Dr. Ernesto Valvano
Dr. Ernesto Valvano

Dr. Ernesto Valvano

Ginecologista | CRM/SP 48.716
  • Formado pela Faculdade de Medicina São José do Rio Preto
  • Especialista em ginecologia obstetrícia
  • Pós-graduado em Reprodução Humana Assistida
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