10 de setembro de 2019

Sentir dor não é normal

Cólicas fortes todo mês, dor pélvica mesmo fora do período menstrual e dor na relação sexual são indícios de que algo está errado. Quando isso ocorre, a mulher deve procurar um especialista para investigar a causa. O ginecologista Paulo Padovani, da equipe do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba, explica que estes são alguns dos sintomas da endometriose, doença que ainda é subdiagnosticada.

“A falsa ideia de que sentir dor é normal leva ao diagnóstico tardio da doença, o que prejudica a qualidade de vida da paciente e pode até comprometer sua fertilidade”, afirma o ginecologista. No Brasil, a média de tempo para o diagnóstico da endometriose é de 6,7 anos.

O principal sintoma desta doença é a dor. Levantamento indica que 56% das pacientes têm cólicas menstruais, 54% têm dor nas relações sexuais, 55% têm dor pélvica constante, 27% têm dor para evacuar no período menstrual e 14% têm dor para urinar no período menstrual. Os dados foram apresentados durante o 2º Fórum de Endometriose do Interior do Estado de São Paulo, realizado em maio deste ano em Sorocaba.

“Por isso, quando recebemos uma paciente no consultório, nunca devemos subestimar sua dor”, declara Padovani. “Precisamos acolher, conversar, fazer a avaliação clínica e solicitar exames adicionais para que possamos fazer o diagnóstico de forma adequada e definir o melhor tratamento”, acrescenta.

Por que a endometriose desencadeia a dor?

O médico explica que a endometriose ocorre quando focos do endométrio (tecido reveste internamente o útero), que deveriam ser expelidos na menstruação, migram para a musculatura uterina (endometriose interna) ou para fora do útero, podendo atingir o peritônio (membrana que cobre a superfície interior da parede abdominal), trompas, ovários, intestino, bexiga, e, em casos menos comuns, até pulmão e nariz (endometriose externa). Esses focos inflamam, desencadeando a dor, principalmente no período menstrual.

“Apesar da doença ser crônica, receber o diagnóstico de endometriose não significa que a mulher tenha que conviver com a dor”, ressalta Padovani. “Precisamos ouvir a paciente, sem julgamentos, sobre suas dores, que são reais, para que possamos ajudá-la”, declara Padovani.

Ele ressalta que, para atingir o objetivo, o tratamento da doença, que é crônica, deve sempre considerar os aspectos físico e psicológico. Por isso, o ideal é que a terapêutica seja multidisciplinar, envolvendo médicos, fisioterapeuta e psicólogo.

O tratamento médico, por meio de medicações e/ou cirurgia, tem como finalidade eliminar os focos de endometriose. O acompanhamento psicológico é indicado para estimular a mudança de perfil da paciente e para que ela receba o suporte para lidar com a carga emocional gerada pela doença. A fisioterapia e a prática de exercícios contribuem para o alívio da dor.

“A prática de atividade física regular estimula a liberação de endorfinas, que têm efeito analgésico, o que ajuda no controle da dor”, informa o ginecologista.

 

Jornalistas responsáveis: Flávia Paschoal/Marisa Massiarelli Setto – Toda Mídia Comunicação

Dr. Paulo Arthur Machado Padovani
Dr. Paulo Arthur Machado Padovani

Dr. Paulo Arthur Machado Padovani

Ginecologista | CRM 39.536
  • Formado pela Faculdade de Medicina de Jundiaí
  • Pós-graduado lato-sensu pela Faculdade de Medicina de Jundiaí e Associação Instituto Sapientiae
  • Especialista em ginecologia e obstetrícia, e habilitação em laparoscopia
  • Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
  • Possui título de Capacitação em Reprodução Assistida emitido pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
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