26 de agosto de 2019

Quero ser pai e não consigo. Quais podem ser as causas?

É mais comum que se pensa encontrar homens que tentam ter filhos, durante um ano, e não conseguem de forma natural. O ideal, nestes casos, é que consultem um especialista em reprodução humana. A infertilidade atinge um em cada cinco casais em idade reprodutiva. Nesta matéria, o urologista Gustavo Borges, da equipe do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba, fala sobre as principais causas de infertilidade masculina, as possibilidades de tratamentos e as alternativas oferecidas pela medicina reprodutiva.

De acordo com o urologista, a varicocele__ nome que se dá à presença de varizes ao redor dos testículos__ é a principal causa de infertilidade masculina, chegando a afetar até 40% dos homens que não conseguem ter filhos. Nestas situações, o médico explica que o sangue fica represado ao redor do testículo, levando ao aumento da temperatura testicular. Como consequência, pode ocorrer diminuição da produção, da movimentação e do funcionamento dos espermatozoides, causando infertilidade.

A boa notícia, segundo Borges, é que estas alterações podem ser revertidas com tratamento cirúrgico. “A microcirurgia tem índice de sucesso de 99% e cerca de 60% a 80% dos pacientes operados melhoram de maneira significativa de seis a 12 meses após o procedimento. As taxas de gravidez depois da cirurgia variam de 30% a 50% após um ano de tentativas”.

Processos infecciosos, disfunções hormonais e alterações genéticas são outros fatores que causam infertilidade masculina, conforme o urologista. Ele cita alguns exemplos, como de infecções testiculares causadas por doenças como clamídia, gonorreia e caxumba e traumas testiculares, que podem ser corrigidos com tratamentos clínico ou cirúrgico.

Se o tratamento clínico ou cirúrgico não obtiver sucesso, Gustavo Borges informa que ainda é possível tentar ter filhos com técnicas de reprodução assistida, como inseminação intrauterina, fertilização in vitro (FIV) e ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide).

E quando o paciente já nasce infértil?

Alterações genéticas e congênitas também podem provocar infertilidade. “Entre os casos que acompanhamos na clínica estão a agenesia congênita bilateral dos canais deferentes, na qual os pacientes nascem sem os canais deferentes e os espermatozoides não podem sair, desta forma, dos testículos. Para os que desejam ter filhos, a medicina reprodutiva oferece a opção de punção do epidídimo e realização de fertilização in vitro com o espermatozoide coletado”, relata.

Outro caso congênito é a criptorquídia, anomalia na qual a criança nasce com os testículos posicionados fora da bolsa escrotal, podendo ser inguinais ou abdominais. “Se o problema não for corrigido, por meio de cirurgia, antes do primeiro ano de vida, pode comprometer a produção de espermatozoides”, alerta o urologista.

Jornalistas responsáveis: Flávia Paschoal/Marisa Massiarelli Setto – Toda Mídia Comunicação

Dr. Gustavo Mendonça Borges
Dr. Gustavo Mendonça Borges

Dr. Gustavo Mendonça Borges

Urologista | CRM/SP 94.121
  • Formado pela Faculdade de Ciências Médicas Unicamp
  • Pós-graduado em reprodução assistida
  • Membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia
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