2 de julho de 2019

Infertilidade precisa ser investigada também nos homens

Já se foi o tempo em que apenas a mulher buscava ajuda médica quando não conseguia ter filhos. Estudos comprovam que a chance dos homens serem responsáveis pela infertilidade é a mesma que das parceiras. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, 30% dos problemas de infertilidade são das mulheres, 30% são dos homens, 30% são dos dois e 10% dos problemas são de infertilidade sem causa aparente.

“Por isso, quando o casal tenta ter filhos durante um ano e não consegue, deve procurar um especialista em reprodução humana para que os exames sejam feitos tanto pelo homem quanto pela mulher”, afirma o urologista Gustavo Borges, da equipe do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba.  O tempo deve ser reduzido para seis meses quando a mulher tem 35 anos ou mais ou quando o homem tem baixa contagem de espermatozoides.

“O ideal é que não se espere muito tempo para buscar ajuda médica, já que os tratamentos de reprodução humana apresentam melhores resultados quando realizados no início da vida reprodutiva do casal”, orienta o urologista.

Gustavo Borges explica que muitos casos de infertilidade masculina são reversíveis, como os provocados por varicocele (uma dilatação das veias do testículo, que forma varizes e aumenta a temperatura testicular), processos infecciosos, disfunções hormonais e vasectomia.

O tratamento, de acordo com o urologista, pode ser clínico ou cirúrgico. Para alterações hormonais, é indicado tratamento clínico. Alguns casos de varicocele e alterações seminais exigem cirurgia. Em pacientes vasectomizados, é possível tentar a reversão do procedimento.

“Em homens que não apresentam espermatozoides no ejaculado, pode ser utilizada a microdissecção testicular, que, muitas vezes, permite a retirada de pequena quantidade de espermatozoides dos testículos, para a realização do tratamento de reprodução humana”, explica Borges.

E quando os tratamentos clínico e cirúrgico não apresentam resultados?

Quando os tratamentos clínico e cirúrgico não apresentam bons resultados ou quando a infertilidade masculina é sem causa aparente, é possível recorrer à inseminação intrauterina, técnica de reprodução humana com baixo custo, ou à fertilização in vitro e à ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide), tratamentos de alta complexidade.

“Quando o homem nasce sem os canais deferentes, por exemplo, se há espermatozoides nos testículos, é possível fazer a coleta e utilizar a fertilização in vitro”, relata o urologista Gustavo Borges.

Ele destaca que quando há fator masculino grave ou alta taxa de fragmentação de DNA dos espermatozoides, é indicada a ICSI (fertilização com injeção intracitoplasmática de espermatozoide). No tratamento, um único espermatozoide, selecionado em laboratório, é injetado dentro do óvulo, utilizando uma agulha de extrema precisão para que ocorra a fertilização. Os embriões formados são transferidos para o útero da paciente, aguardando-se pela gravidez.

Jornalistas responsáveis: Flávia Paschoal/Marisa Massiarelli Setto – Toda Mídia Comunicação

Dr. Gustavo Mendonça Borges
Dr. Gustavo Mendonça Borges

Dr. Gustavo Mendonça Borges

Urologista | CRM/SP 94.121
  • Formado pela Faculdade de Ciências Médicas Unicamp
  • Pós-graduado em reprodução assistida
  • Membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia
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