4 de junho de 2019

Padovani participa de Fórum de Endometriose do Interior de SP

O ginecologista Paulo Padovani, da equipe do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba, participou do 2º Fórum de Endometriose do Interior do Estado de São Paulo, realizado nos dias 24 e 25 de maio em Sorocaba. Padovani integra um grupo multidisciplinar formado em Piracicaba com o objetivo de acelerar o diagnóstico e oferecer qualidade de vida às mulheres com endometriose.

A busca constante por qualificação faz parte da filosofia do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba. Neste sentido, a endometriose requer uma atenção especial, já que a doença pode ser considerada uma ‘epidemia silenciosa’. A estimativa, divulgada durante o encontro, é que atinja 1,76 trilhão de mulheres, entre 14 e 40 anos, em todo o mundo. No Brasil, são 6 milhões.

“Os números assustam e superam os casos de hipertensos, que somam 1,1 trilhão no mundo, e de diabéticos, que são 422 milhões”, afirma Padovani. Ele destaca que as duas últimas doenças têm políticas públicas de controle e defende que a mesma atenção seja dada à endometriose.

Os estudos justificam. O impacto econômico da endometriose (incluindo ausência no trabalho, diminuição da eficácia no trabalho, perda da produtividade e atividade debilitada, além do custo de tratamento) é de R$ 15,7 milhões por ano no Brasil. O cálculo considerou 5 milhões de pacientes sintomáticas no país. Entre estas, 55% estão empregadas. No levantamento, também apresentado durante o encontro, foram utilizados dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e do Ministério do Trabalho.

Para atuar neste cenário, Padovani está à frente de um recém-criado grupo de tratamento multidisciplinar da doença em Piracicaba, formado por médicos, assistente social, fisioterapeuta, profissionais de enfermagem e psicólogo. A equipe quer fazer um mapeamento da doença na cidade e, posteriormente, agir para, além de antecipar o diagnóstico, atuar de forma a garantir qualidade de vida às pacientes. “Neste Fórum que participamos e pela experiência clínica, sabemos que a paciente com endometriose precisa ser ouvida, sem julgamentos, sobre suas dores, que são reais”, afirma Padovani. Ele ressalta que, por isso, o tratamento deve sempre considerar os aspectos físico e psicológico.

A dor é o sintoma-chave da doença: 56% das pacientes têm cólicas menstruais; 54% têm dor nas relações sexuais; 55% têm dor pélvica constante; 27% têm dor para evacuar no período menstrual e 14% têm dor para urinar no período menstrual. Entre as pacientes, 55% têm dificuldade para engravidar.

O que é a endometriose?

A endometriose é uma doença crônica que se caracteriza pela presença de focos do endométrio (tecido que reveste o interior do útero) na musculatura uterina (endometriose interna) e fora do útero, podendo atingir o peritônio (membrana que cobre a superfície interior da parede abdominal), trompas, ovários, intestino, bexiga, e, em casos menos comuns, até pulmão e nariz (endometriose externa).

Jornalistas responsáveis: Flávia Paschoal/Marisa Massiarelli Setto – Toda Mídia Comunicação