17 de maio de 2019

Superação e gratidão

Ao receber o diagnóstico de endometriose em 2010, a primeira pergunta que a bancária Fernanda Rios Carneiro, 37, fez ao médico foi se poderia, um dia, ter filhos. O conselho, de que precisaria primeiro se cuidar, foi seguido à risca. Para atingir o objetivo, ela não mediu esforços. Procurou especialistas em outras cidades, passou por cirurgia, acompanhamento e, em 3 de novembro de 2017, nasceu Pedro, o filho tão desejado.

Protagonista de uma história de superação, Fernanda faz questão de contar sua experiência para incentivar mulheres que estão na mesma situação a não subestimarem suas dores, buscarem tratamento especializado e não desistirem do sonho de ter filhos. Ao lado do filho e do marido, o arquivista Pierre Aquino Carneiro, 35__, ela resume seu sentimento em uma palavra: gratidão.

As fortes cólicas menstruais faziam parte da vida de Fernanda desde a juventude. “Sempre tive muita cólica, reclamava na consulta médica, trocava a pílula e nada adiantava”, relata. Aos 27 anos, com muita cólica, quando fazia sessão de RPG (reeducação postural global), foi questionada pela fisioterapeuta se não seria endometriose. Decidiu procurar um especialista.

Inicialmente, fez uma consulta em São Paulo, onde recebeu o diagnóstico de endometriose profunda. Como teria que passar por cirurgia, verificou quais médicos atendiam na região de Rio Claro, cidade onde mora, pelo seu plano de saúde. Em 2013, fez a primeira consulta com o ginecologista Paulo Padovani, da equipe do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba.

Em 2014, passou por cirurgia, que durou sete horas e foi realizada por equipe multidisciplinar. Como a doença havia atingido outros órgãos, além do ginecologista, o procedimento envolveu gastroenterologista e urologista. “Como eu havia externado meu desejo de ser mãe, o dr. Paulo fez uma limpeza, preservando ovários e útero”, relata a paciente. Como parte do tratamento, foi colocado o DIU (dispositivo intrauterino) e Fernanda passou a tomar anticoncepcional.

Em 2016, após ter tido alta do tratamento, procurou uma ginecologista em Rio Claro para retirar o DIU e parar de tomar a pílula anticoncepcional. No início de 2017, em exames, foi diagnosticada novamente a endometriose, desta vez no ureter direito. Procurou a urologista que havia participado de sua cirurgia e começou os preparativos para passar por novo procedimento. “Chorei muito com este diagnóstico. Achei que não conseguiria mais ter filhos”, relata.

Neste período, sua menstruação atrasou e Fernanda decidiu fazer um exame de farmácia. O teste deu positivo. “Liguei desesperada para a médica, pois não poderia fazer o procedimento e tinha medo de ter a função renal comprometida”, relembra. Além de tranquilizá-la, a médica orientou que procurasse novamente o ginecologista Paulo Padovani. “Eu e meu marido nem acreditávamos; meu sentimento foi de muita gratidão”, afirma.

Com o acompanhamento dos especialistas, a gravidez ocorreu sem intercorrências e no dia 3 de novembro de 2017, nasceu Pedro. “Na gravidez, eu tinha muito medo de perder o bebê em função da endometriose. Quando ouvi o choro dele, só agradeci”, desabafa.

Um ano e meio após o nascimento do filho, Fernanda continua com o tratamento da endometriose, se prepara para outra cirurgia e revela que se sente fortalecida: “Não estou sozinha, o Pedro é o meu companheirinho”. Ela também encoraja mulheres que têm a doença a buscarem qualidade de vida. “Quem tem cólicas muito fortes, deve procurar o quanto antes um especialista, principalmente se quer ter filhos”.

O que é a endometriose?

A endometriose é uma doença crônica que afeta aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva e é responsável por 20% dos casos de infertilidade feminina. A informação é do ginecologista Paulo Padovani, diretor do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba, instalado no Hospital Santa Isabel, graças a uma parceria com a Santa Casa de Piracicaba.

A doença se caracteriza pela presença de focos do endométrio (tecido que reveste o interior do útero) na musculatura uterina (endometriose interna) e fora do útero, podendo atingir o peritônio (membrana que cobre a superfície interior da parede abdominal), trompas, ovários, intestino, bexiga, e, em casos menos comuns, até pulmão e nariz (endometriose externa).

Os principais sintomas são cólicas menstruais fortes, que não melhoram com o uso da pílula, e dor na relação sexual. A lista também pode incluir dor difusa ou crônica na região pélvica, fadiga crônica, sangramento menstrual intenso ou irregular, alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação, dificuldade para engravidar e infertilidade.

Quanto mais cedo a mulher procura ajuda médica especializada, melhor. “Em caso de mulher jovem, a interrupção da menstruação, utilizando a pílula anticoncepcional, ajuda a preservar a fertilidade para que possa, quando desejar, ter filhos. O uso da pílula deverá ser suspenso apenas quando a paciente decidir que é o momento de tentar engravidar”, esclarece Padovani.

A doença não tem cura definitiva, mas os tratamentos podem permitir uma melhor qualidade de vida. Regride espontaneamente na menopausa, com o fim das menstruações.

Jornalistas responsáveis: Flávia Paschoal/Marisa Massiarelli Setto – Toda Mídia Comunicação

Legenda da foto: Pedro, Pierre e Fernanda Rios Carneiro

Crédito da foto: Arquivo pessoal

Dr. Paulo Arthur Machado Padovani
Dr. Paulo Arthur Machado Padovani

Dr. Paulo Arthur Machado Padovani

Ginecologista | CRM 39.536
  • Formado pela Faculdade de Medicina de Jundiaí
  • Pós-graduado lato-sensu pela Faculdade de Medicina de Jundiaí e Associação Instituto Sapientiae
  • Especialista em ginecologia e obstetrícia, e habilitação em laparoscopia
  • Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
  • Possui título de Capacitação em Reprodução Assistida emitido pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
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