6 de maio de 2019

É possível preservar a fertilidade?

O congelamento de células germinativas – óvulos e espermatozoides – é alternativa para as pessoas que desejam preservar a fertilidade, por vontade de adiar a gravidez ou por problemas de saúde. A informação é do ginecologista Ernesto Valvano, da equipe do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba.

Para ter acesso às técnicas, é preciso recorrer a clínicas de fertilização que sigam todas as normas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O médico explica que o congelamento de óvulos é indicado para mulheres que querem adiar a gravidez, que passarão por tratamentos contra ou câncer e precisam preservar a fertilidade ou que têm histórico familiar de menopausa precoce.

É uma forma de utilizar os óvulos posteriormente em uma tentativa, caso a gravidez não ocorra de forma natural. “O ideal é que a coleta seja feita no momento adequado, principalmente nos casos de quem planeja adiar a gestação ou quem tem histórico familiar de menopausa precoce. Congelar óvulos aos 30 anos, quando ainda estão na fase jovem, é melhor do que mais tarde”, afirma Valvano.

Quando a paciente recebe o diagnóstico de câncer, a coleta e o congelamento de óvulos devem ser feitos antes do início do tratamento. “O tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento da doença, com quimioterapia e/ou radioterapia, é suficiente para realizar a coleta e congelamento dos óvulos”, esclarece Valvano. “Quando a mulher decidir que é o momento de tentar uma gravidez, os óvulos serão descongelados e fertilizados in vitro”, informa o médico, deixando claro que esta é uma possibilidade de tentar a gravidez posteriormente, mas não a garantia, já que o óvulo pode, em alguns casos, não sobreviver ao descongelamento.

A mesma orientação vale para os homens, em idade reprodutiva, que são diagnosticados com câncer. O sêmen, coletado e congelado antes do tratamento com quimioterapia e/ou radioterapia, será descongelado e utilizado em processo de FIV quando o paciente quiser tentar ter filhos.

Como é feito o congelamento?

Normalmente, o congelamento de células germinativas é feito pelo processo de vitrificação. No caso dos óvulos, consiste na extração dessas células com uma agulha – depois de uma estimulação ovariana -, armazenamento em palhetas e congelamento em nitrogênio líquido a menos 196 graus. As células são guardadas pelo tempo que for necessário em recipientes com isolamento térmico. São descongeladas quando a mulher decidir tentar uma gravidez.

Para os homens, o sêmen é coletado, na clínica, e congelado em micropipetas, em meio a nitrogênio líquido, numa temperatura de 196 graus negativos.  “Quanto maior o número de amostras de sêmen criopreservadas, maiores serão as chances de sucesso em tratamentos de reprodução assistida”, declara Valvano.

O médico destaca que o processo de vitrificação garante a qualidade das células germinativas. Por isso, o embrião resultante do óvulo congelado ou do sêmen congelado não perde a qualidade. “O congelamento não traz riscos para a saúde da gestante nem para a saúde do bebê”, acrescenta.

Jornalistas responsáveis – Flávia Paschoal/Marisa Massiarelli Setto – Toda Mídia Comunicação

Dr. Ernesto Valvano
Dr. Ernesto Valvano

Dr. Ernesto Valvano

Ginecologista | CRM/SP 48.716
  • Formado pela Faculdade de Medicina São José do Rio Preto
  • Especialista em ginecologia obstetrícia
  • Pós-graduado em Reprodução Humana Assistida
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