26 de março de 2019

Endometriose profunda requer equipe médica especializada

A endometriose profunda é considerada a forma mais grave da doença e requer tratamento com equipe médica especializada. “Como as lesões atingem tecidos fora dos limites do útero, o tratamento pode exigir a avaliação de especialistas de outras áreas, além do ginecologista”, afirma o ginecologista Ernesto Valvano, da equipe do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba.

De acordo com o médico, geralmente as pacientes apresentam lesões__ formadas por focos de endométrio (tecido que reveste o interior do útero) __ com mais de 0,5 cm de profundidade, que podem afetar qualquer órgão da pelve, como os ligamentos uterossacros, vagina, intestino e bexiga. O órgão que costuma ser mais atingido pela doença é o intestino, em especial o reto e o sigmoide (segmento que liga o intestino grosso ao reto). O sistema urinário aparece na sequência, principalmente a bexiga e o ureter.

“Em casos menos comuns, algumas formas de endometriose profunda podem atingir órgãos distantes, como diafragma, pulmão e até nariz”, informa Valvano. Nestas situações, o ginecologista destaca a necessidade da avaliação de médicos das especialidades correspondentes.

As principais queixas das pacientes com endometriose são cólicas menstruais fortes, que aumentam a cada mês e não diminuem com o uso da pílula, dor na relação sexual, fadiga crônica e alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação.

Como é feito o diagnóstico e qual o tratamento?

O diagnóstico da endometriose é feito com base na história clínica, sintomas da paciente, além de exames, como a ultrassonografia, videolaparoscopia e ressonância magnética, principalmente para verificar se existem lesões na pelve ou órgãos à distância.

“Quando há suspeita de endometriose profunda, podemos pedir um ultrassom abdominal e endovaginal, com gel de contraste, para fazer o mapeamento das áreas afetadas”, afirma o ginecologista Ernesto Valvano, que detalha o tratamento. “O tratamento, geralmente, é cirúrgico. Apenas em alguns casos, de acordo com o quadro e estadiamento das lesões, pode-se optar por tratamento clínico”.

Feito principalmente por videolaparoscopia, o procedimento cirúrgico exige médicos qualificados e experientes neste tipo de intervenção. Deve ser realizado por equipe multidisciplinar, que tenha pelo menos um ginecologista e um cirurgião geral especializados em cirurgia pélvica e com conhecimento da abrangência e envolvimento da doença com os outros órgãos.

Após a cirurgia, a paciente deve continuar o tratamento com seu ginecologista. “Como a endometriose é uma doença crônica, o acompanhamento deve ser feito por tempo indeterminado”, destaca o médico. Ele explica que, com o final das menstruações, a doença costuma regredir espontaneamente na menopausa.

Jornalistas responsáveis: Flávia Paschoal/Marisa Massiarelli Setto – Toda Mídia Comunicação

Dr. Ernesto Valvano
Dr. Ernesto Valvano

Dr. Ernesto Valvano

Ginecologista | CRM/SP 48.716
  • Formado pela Faculdade de Medicina São José do Rio Preto
  • Especialista em ginecologia obstetrícia
  • Pós-graduado em Reprodução Humana Assistida
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