19 de fevereiro de 2019

Planejar a gravidez é uma forma de ‘driblar’ a idade

Planejar a gravidez é uma forma de evitar surpresas no momento que for considerado ideal para ter filhos. A mulher deve ter a consciência de que a idade é fator limitante para quem deseja ser mãe, já que os óvulos envelhecem. “A idade afeta a quantidade e a qualidade dos óvulos”, informa o ginecologista Ernesto Valvano, da equipe do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba.
Nesta entrevista, o ginecologista fala sobre a influência do relógio biológico na fertilidade feminina e as alternativas oferecidas pela medicina reprodutiva para quem quer, em algum momento da vida, engravidar. Confira:

É possível monitorar a fertilidade?
Sim. Por meio de exames, é possível ter uma ideia de como anda a fertilidade feminina. Orientamos que, a partir dos 30 anos, a mulher que ainda quer aguardar algum tempo para tentar engravidar faça um monitoramento com seu ginecologista. Um check-up adequado pode identificar se ainda há tempo disponível. A lista inclui exames de dosagens hormonais e ultrassonografia durante o ciclo menstrual. Com os resultados, podemos identificar como está a reserva de óvulos.Precisamos sempre lembrar que gravidez e idade estão relacionadas. A fertilidade feminina começa a cair um pouco após os 30 anos e tem declínio importante depois dos 35 anos. Depois dos 37 anos, começa a piorar a qualidade dos óvulos e há uma maior incidência de alterações genéticas.

Existem alternativas para quem quer deixar a gravidez para o futuro?
Para as pacientes que optam por deixar a gravidez para mais tarde, existe a alternativa da preservação de óvulos. O congelamento oferece uma opção de utilizá-los posteriormente em uma tentativa, caso a gravidez não ocorra naturalmente. Neste caso, o ideal é que a coleta seja feita no momento adequado. Congelar óvulos aos 30 anos é melhor do que mais tarde, porque estes ainda estão na fase jovem. Para o procedimento, 35 anos é considerada a idade limite.

O congelamento de óvulos reduz as chances de gravidez de risco?
Com os óvulos congelados, a mulher tem mais chances de engravidar e tem riscos reduzidos em relação à malformação do feto e doenças genéticas. Conforme a idade, os riscos de hipertensão e diabetes na gestação são os mesmos de uma gravidez espontânea. Por isso, o ideal é que o pré-natal em uma gestação tardia seja feito com obstetra experiente.

É melhor congelar óvulos ou embriões?
Quando os casais têm união estável, orientamos que seja feito o congelamento de embriões. A chance de conseguir uma gravidez é maior congelando embriões do que congelando os óvulos. Quando coletamos óvulos, estamos congelando uma única célula, que pode não sobreviver no processo de congelamento/ descongelamento. Os embriões têm normalmente, no terceiro dia, oito células e, se no processo de congelamento/descongelamento, perde até quatro células, ainda é considerado um embrião viável.
Quando a mulher não tem parceiro fixo e não há a opção de congelar embriões, nossa orientação é que congele óvulos. O ideal é que a coleta seja feita antes dos 35 anos.

Como é feito o congelamento de óvulos e de embriões?
No Centro de Reprodução Humana de Piracicaba, o congelamento de óvulos é feito pela técnica de vitrificação. A técnica consiste na extração dessas células com uma agulha__ depois de uma estimulação ovariana __, armazenamento e congelamento em nitrogênio líquido a menos 196 graus. As células são guardadas pelo tempo necessário em recipientes com isolamento térmico. São descongeladas quando a mulher decidir tentar uma gravidez. A mesma técnica é utilizada para embriões, fertilizados in vitro.

Como os óvulos descongelados são fertilizados?
Os óvulos descongelados são fertilizados in vitro por meio da ICSI, a injeção intracitoplasmática de espermatozoide. Um único espermatozoide, selecionado em laboratório, é injetado dentro do óvulo utilizando uma agulha de extrema precisão. Após formado, o embrião é inserido no útero.

Óvulos congelados têm prazo de validade?
O congelamento de óvulos é geralmente feito pela técnica de vitrificação, com temperatura a menos de 196ºC, o que garante a preservação das células por tempo indeterminado.

Congelamento de óvulos traz riscos para a saúde do bebê?
Não. O congelamento de óvulos, principalmente por meio da técnica de vitrificação, garante a qualidade das células germinativas. Por isso, o embrião resultante do óvulo congelado tem a mesma qualidade do embrião resultante do óvulo que não foi congelado. O congelamento de óvulos não traz riscos para a saúde da mãe nem para a saúde do bebê.

Jornalistas responsáveis: Flávia Paschoal/Marisa Massiarelli Setto – Toda Mídia Comunicação

Dr. Ernesto Valvano
Dr. Ernesto Valvano

Dr. Ernesto Valvano

Ginecologista | CRM/SP 48.716
  • Formado pela Faculdade de Medicina São José do Rio Preto
  • Especialista em ginecologia obstetrícia
  • Pós-graduado em Reprodução Humana Assistida
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