29 de janeiro de 2019

Não é normal ter cólica menstrual forte

Ter cólica menstrual muito forte, que aumenta a cada mês e que não diminui com o uso da pílula anticoncepcional é um sinal de alerta.

“Quem tem cólicas intensas e progressivas deve procurar um ginecologista para investigar se o sintoma indica endometriose”, orienta a ginecologista Milena Elisa Goes Dias Silva, da equipe do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba.

De acordo com a ginecologista, a doença pode atingir mulheres que estão em idade fértil, desde a adolescência até a menopausa. De acordo com dados da Associação Brasileira de Endometriose, 7 milhões de brasileiras são acometidas pela doença, que tem a cólica menstrual como um dos principais sintomas.

Ela explica que a endometriose é uma doença crônica que se caracteriza pela presença de focos do endométrio (tecido que reveste o interior do útero) fora do útero, podendo atingir principalmente o peritônio (membrana que cobre a superfície interior da parede abdominal), trompas, ovários, intestino e bexiga. O diagnóstico é feito através de avaliação clínica e exames, como a videolaparoscopia. O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico, de acordo com o estágio da doença.

Quando a cólica deve ser tratada como anormal?

Estudo divulgado pela Revista Brasileira de Medicina aponta que cerca de 33 milhões de brasileiras sofrem todos os meses com cólicas menstruais a ponto de impactar sua produtividade no trabalho.

Milena Goes informa que as cólicas que aparecem desde o início das primeiras menstruações e permitem que as mulheres sigam sua rotina não precisam de atenção especial. Costumam anteceder o período menstrual e durar até os primeiros dias da menstruação. “Nestes casos, a dor cessa após o uso de analgésicos e anti-inflamatórios, que devem sempre ser utilizados com indicação médica”, afirma.

A ginecologista lembra que as cólicas menstruais sentidas pela maioria das mulheres são dores causadas pelas contrações da parede do útero. Nos casos em que estes espasmos são muito intensos e os vasos sanguíneos que irrigam o útero ficam comprimidos, a mulher sente dor abdominal, que pode irradiar para as costas e para a face interna das coxas.

A cólica requer uma atenção especial quando é tão intensa a ponto de interferir na rotina diária. “Nestes casos, o ideal é que a mulher procure um ginecologista para que possa ser feita uma investigação para verificar se é sintoma de doenças, como endometriose, adenomiose e até miomas”, diz. “Quando a cólica vai piorando com o passar dos anos e as medicações usualmente utilizadas deixam de fazer efeito, a mulher também deve procurar ajuda médica”, completa.

Jornalistas responsáveis: Flávia Paschoal/ Marisa Massiarelli Setto – Toda Mídia Comunicação

 

Dra. Milena Elisa Goes Dias Silva
Dra. Milena Elisa Goes Dias Silva

Dra. Milena Elisa Goes Dias Silva

Ginecologista | CRM/SP 141.626
  • Formada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
  • Pós-graduação em infertilidade e reprodução humana pela Faculdade de Ciências médicas da Santa Casa de São Paulo/Projeto Alfa
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