21 de janeiro de 2019

Já ouviu falar sobre endometriose?

Os números são altos. Mais de 170 milhões de mulheres no mundo apresentam endometriose, em sua fase reprodutiva, segundo dados do World Endometriosis Research Foundation. A Associação Brasileira de Endometriose estima que 7 milhões de brasileiras fazem parte desta estatística. E você, já ouviu falar desta doença?

O ginecologista Paulo Padovani, diretor do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba, informa que a endometriose é uma doença crônica, que afeta aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva e é responsável por 20% dos casos de infertilidade feminina. “É a doença da mulher moderna, que demora para ter filhos e se vê na obrigação de dar conta de vários papéis em casa e no trabalho. Este perfil a deixa estressada, com baixa imunidade e mais propensa a ter a endometriose”, afirma. “A doença não tem cura definitiva, mas os tratamentos podem permitir uma melhor qualidade de vida”, declara.

Nesta entrevista, o ginecologista responde às principais dúvidas sobre a doença.

– O que é endometriose?

A endometriose é uma doença que se caracteriza pela presença de focos do endométrio (tecido que reveste o interior do útero) fora do útero, podendo atingir o peritônio (membrana altamente inervada que reveste órgãos internos e superfície interna da cavidade abdominal), trompas, ovários, intestino, bexiga, e, em casos menos comuns, até pulmão e nariz.

– Quais os sintomas da doença?

Cólicas menstruais fortes, que não melhoram com o uso da pílula, e dor na relação sexual são fortes indícios de que a mulher está com endometriose. A lista de sintomas também pode incluir dor difusa ou crônica na região pélvica, fadiga crônica, sangramento menstrual intenso ou irregular, alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação, dificuldade para engravidar e infertilidade. Em alguns casos, a endometriose é assintomática e a mulher só descobre que tem o problema quando decide ter filhos e não consegue engravidar.

– A doença é hereditária?

Existem poucos estudos que fazem essa associação, já que, no passado, com a falta de exames, a doença não era diagnosticada. Hoje, sabemos que quando há um parentesco com portadores da endometriose, há um maior risco para a mulher desenvolvê-la.

– A endometriose é ou pode se tornar um câncer?

A endometriose é uma doença benigna. Nenhum estudo mostrou relação importante entre a endometriose e o câncer ou evolução para uma doença maligna. Porém existem casos nos quais se nota uma agressividade muito grande do desenvolvimento da doença e merecem mais estudos para se esclarecer o verdadeiro motivo.

– Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da endometriose deve ser feito com base na história clínica, sintomas da paciente, além de exames, como a ultrassonografia__para verificar se existe endometrioma (foco de endometriose que cresceu no ovário e formou um cisto)__e videolaparoscopia.

 – Qual o tratamento?

O tratamento é feito em várias etapas, começando pelo estadiamento das lesões, com posterior retirada (quando for o caso), suspensão da menstruação por meio de medicamentos e mudança de comportamento da paciente. Por isso, os médicos sugerem acompanhamento psicológico.

– Quais as causas da endometriose?

As causas da endometriose ainda são desconhecidas para a medicina. Uma das teorias é relacionada ao fator imunológico. Na mulher com endometriose, as células natural killer __ responsáveis pela defesa do organismo __não estariam cumprindo sua função. Outra versão é de que a doença seria provocada no desenvolvimento embrionário.

 – Mulheres jovens podem ter endometriose?

Qualquer mulher pode ter endometriose a partir da primeira menstruação até a menopausa. A doença atinge sempre mulheres em período reprodutivo e pode surgir após as primeiras menstruações. Os sintomas se intensificam, geralmente, entre os 25 e 35 anos.

– Quem tem endometriose pode engravidar?

A endometriose mínima e leve geralmente não atrapalha a obtenção da gravidez. É importante destacar que sempre se dá à paciente com endometriose a oportunidade de conseguir a gestação de forma espontânea. Quando isso não ocorre, a reprodução assistida pode auxiliar, com tratamentos de baixa complexidade (coito programado e inseminação intrauterina) ou alta complexidade (fertilização in vitro).

Para endometriose moderada, há a possibilidade de tentar a inseminação artificial. Para os casos graves, é indicada a fertilização in vitro. A decisão é tomada pelo especialista de acordo com o resultado dos exames. Em casos mais graves, o tratamento pode ter a opção de primeiro passar por cirurgia, para remover endometriomas, ficar sem menstruar por um período __ utilizando medicação___, receber posteriormente estímulo para ovular e fazer fertilização in vitro. Pode ter também a opção de ir direto para a fertilização in vitro, coletando os óvulos antes do tratamento da doença. Cada caso deve ser personalizado e decidido em conjunto com a paciente.

– A endometriose tem cura?

A endometriose é uma doença crônica, que não cura definitiva. Os tratamentos, com equipe multidisciplinar, garantem qualidade de vida às pacientes, principalmente porque a endometriose envolve questões de ordem comportamental e psíquica. A doença regride espontaneamente na menopausa, com o fim das menstruações.

Jornalistas responsáveis: Flávia Paschoal/Marisa Massiarelli Setto – Toda Mídia Comunicação

Dr. Paulo Arthur Machado Padovani
Dr. Paulo Arthur Machado Padovani

Dr. Paulo Arthur Machado Padovani

Ginecologista | CRM 39.536
  • Formado pela Faculdade de Medicina de Jundiaí
  • Pós-graduado lato-sensu pela Faculdade de Medicina de Jundiaí e Associação Instituto Sapientiae
  • Especialista em ginecologia e obstetrícia, e habilitação em laparoscopia
  • Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
  • Possui título de Capacitação em Reprodução Assistida emitido pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
Saiba mais