4 de janeiro de 2019

1 em cada 10 mulheres em idade fértil tem endometriose

Uma em cada dez mulheres dos 15 aos 49 anos tem endometriose. O número preocupa especialistas, principalmente pelas características da doença. Sua história natural e progressão ainda são desconhecidas, mas seus impactos sobre o organismo feminino são significativos, vão do desconforto da dor até o comprometimento da fertilidade e sintomas intestinais e urinários, com reflexos sobre o bem estar da paciente.

Segundo o ginecologista Paulo Padovani, diretor do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba, a endometriose é causada pela implantação das células do endométrio __como é chamada a camada que reveste o útero internamente e responde à ação hormonal__ dentro da musculatura uterina ou fora do seu local de origem. Isso quer dizer que essas células podem migrar para outros órgãos, como bexiga e intestino, e, em alguns casos, até pulmão e nariz.

Os principais sintomas da doença são a dor pélvica crônica (uma dor contínua observada por mais de seis meses), cólica menstrual, irregularidade menstrual, menorragia (fluxo menstrual aumentado); dor na relação sexual, sintoma intestinal cíclico, sintoma urinário cíclico e a infertilidade.

“A lista de sintomas tem impacto direto sobre a vida da paciente. Ausência no trabalho (absenteísmo), diminuição da eficácia no trabalho, perda da produtividade e atividade debilitada são consequências desse quadro”, diz Padovani.

Padovani destaca que não há prevenção e não há cura para a endometriose. Mas ela pode ser controlada, o que exige bom diagnóstico e orientação terapêutica adequada, considerando fatores como idade, intensidade dos sintomas e desejo de engravidar, que pode ser relevante na busca do tratamento. O diagnóstico é feito por avaliação clínica e exames como a videolaparoscopia. O tratamento é definido após o estadiamento da doença.

“Nos casos iniciais e em determinadas situações, podemos usar pílulas anticoncepcionais ou progesterona para o tratamento, mas nos casos avançados, na chamada endometriose profunda, o tratamento é sempre cirúrgico, com complementação clínica”, explica Padovani.

O médico relata que como a origem e progressão da doença ainda são desconhecidas, pode haver recidivas. Mas ele relata fatores que podem influenciar no quadro, como o modo de vida da paciente acometida.

“Geralmente, são pessoas perfeccionistas, exigentes, com dificuldade de dizer não, que precisam aprender a se valorizar. Esse excesso de tensão reduz a ação do organismo em combater as células endometriais fora do local de origem (chamadas macrófagos – um tipo de glóbulo branco – que os americanos chamam de “natural killer”)”, relata.

A forma de alcançar o controle da doença inclui a retirada das lesões e o tratamento clinico complementar. “O tratamento psicológico pode ajudar”, diz o médico.

O Centro de Reprodução Humana de Piracicaba está instalado no Hospital Santa Isabel, graças a uma parceria com a Santa Casa de Piracicaba.

Jornalistas responsáveis: Flávia Paschoal/Marisa Massiarelli Setto – Toda Mídia Comunicação

Dr. Paulo Arthur Machado Padovani
Dr. Paulo Arthur Machado Padovani

Dr. Paulo Arthur Machado Padovani

Ginecologista | CRM 39.536
  • Formado pela Faculdade de Medicina de Jundiaí
  • Pós-graduado lato-sensu pela Faculdade de Medicina de Jundiaí e Associação Instituto Sapientiae
  • Especialista em ginecologia e obstetrícia, e habilitação em laparoscopia
  • Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
  • Possui título de Capacitação em Reprodução Assistida emitido pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
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