30 de dezembro de 2018

Faça uma consulta antes de engravidar

Quando o casal decide engravidar, o ideal é que procure um ginecologista e obstetra para receber as orientações adequadas. “O planejamento da gravidez, com a orientação médica, é de extrema importância para prevenir uma série de intercorrências para a mãe e para o bebê”, afirma a médica Milena Elisa Goes Dias Silva, da equipe do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba, instalado no Hospital Santa Isabel, graças a uma parceria com a Santa Casa de Piracicaba.

“Nos exames de check-up, podemos identificar a predisposição para o desenvolvimento de algumas doenças e assim estabelecer estratégias para prevenção, evitando que a gravidez se torne de risco”, afirma a ginecologista. Ela explica que nesta fase são feitos alguns diagnósticos importantes, como hipertensão, diabetes, anemia e infecção urinária.

A lista de exames pré-concepcionais inclui hemograma, tipagem sanguínea, exame de urina, glicemia de jejum e sorologias (rubéola, citomegalovírus, HIV, toxoplasmose, hepatite B, sífilis).

Milena Goes detalha a função de cada exame. O hemograma tem o objetivo de verificar as condições gerais de saúde da futura mãe, permitindo o diagnóstico de anemia e infecções.

Pela tipagem sanguínea, é possível constatar se existe incompatibilidade sanguínea da mãe com o pai e, se necessário, fazer a Imunoglobulina anti-Rh, para evitar problemas em uma segunda gravidez.

A glicemia de jejum revela a presença do Diabetes Melittus ou avalia o risco de desenvolver a doença, mesmo que a mulher não tenha nenhum sintoma. “É um exame muito importante, pois a doença pode até passar despercebida durante a vida da paciente, mas se ocorre na gravidez e não é tratada e controlada, pode causar malformação do bebê ou mesmo abortos espontâneos”, ressalta a médica.

O exame de urina é importante para identificar a presença de bactérias na urina. As infecções urinárias são as principais causas de trabalho de parto prematuro e ruptura precoce de bolsa.

Os exames sorológicos identificam a presença de patologias como toxoplasmose, hepatite B e C, sífilis e HIV. Pela sorologia, é possível saber se a mulher teve rubéola e, caso não tenha tido contato com o vírus da doença, receba a vacina antes de engravidar.

“A rubéola, quando ocorre durante a gravidez, pode ser transmitida ao bebê, levando, às vezes, a infecções graves que provocam cegueira, surdez, malformações e até morte intrauterina. Por isso, mulheres que não têm imunidade contra a rubéola devem ser vacinadas, no mínimo, três meses antes de engravidar”, explica a ginecologista. Para as que já estão grávidas, ela ressalta que a vacina não pode ser aplicada, pois é feita com vírus vivos atenuados.

A médica destaca também a importância de que a mulher esteja em dia com os exames ginecológicos de rotina (mamografia e Papanicolau) e procedimentos odontológicos, já que há maior predisposição à gengivite durante a gravidez.

MUDANÇA DE HÁBITOS

Antes de interromper o método contraceptivo, alguns hábitos, como o tabagismo e a ingestão de álcool, devem ser mudados, pois apresentam potencial tóxico ao feto. “Há descrição de diminuição de fertilidade feminina pelo uso de cigarro. Além disso, o tabagismo pode levar a má nutrição fetal, provocando a restrição do crescimento intrauterino do feto, maior risco de prematuridade e baixo peso ao nascer”, relata.

A ingestão de álcool pode provocar abortos e apresenta risco ao feto. “O consumo de álcool deve ser abolido durante toda a gestação pois pode provocar a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), que acarreta vários tipos de malformação congênita no bebê”, declara.

Jornalistas responsáveis: Flávia Paschoal/Marisa Massiarelli Setto – Toda Mídia Comunicação

Dra. Milena Elisa Goes Dias Silva
Dra. Milena Elisa Goes Dias Silva

Dra. Milena Elisa Goes Dias Silva

Ginecologista | CRM/SP 141.626
  • Formada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
  • Pós-graduação em infertilidade e reprodução humana pela Faculdade de Ciências médicas da Santa Casa de São Paulo/Projeto Alfa
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