9 de novembro de 2018

É possível ser pai após o câncer de próstata

O câncer de próstata tem 90% de chance de cura quando diagnosticado na fase inicial. Esse e vários outros tipos de câncer (testículo, linfomas, leucemias, tumores ósseos etc.) têm se apresentado em pacientes cada vez mais jovens, em alguns casos com menos de 45 anos e ainda sem filhos. “Por isso, precisamos pensar na qualidade de vida do paciente que vence a doença e devemos oferecer oportunidades aos que querem ter filhos”, afirma o urologista Gustavo Borges, da equipe do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba.

No caso de pacientes oncológicos em idade reprodutiva, o urologista recomenda que seja feita a preservação da fertilidade, por meio do congelamento de sêmen.

“A radioterapia e a quimioterapia utilizadas nos tratamentos contra o câncer podem provocar alterações importantes na fertilidade ou até a infertilidade”, alerta Borges. Estudos revelam que aproximadamente metade dos homens que se submetem à radioterapia e/ou à quimioterapia, para curar qualquer tipo de câncer, fica infértil.

Segundo o urologista, o tempo entre o diagnóstico do câncer e o início do tratamento costuma ser suficiente para fazer a coleta e o congelamento do sêmen. “A coleta deve ser feita antes da primeira sessão de quimioterapia ou de radioterapia”, reforça. “Não se perde tempo, nem ocorrem atrasos para o início do tratamento do tumor, por causa do congelamento.”

Como é feito o congelamento de sêmen?

A coleta de sêmen não requer tratamento especial, mas precisa ser feita sob a orientação de um especialista em uma clínica de reprodução humana.

O urologista Gustavo Borges explica que o congelamento é feito em nitrogênio líquido a temperaturas muito baixas. O sêmen é congelado e armazenado pelo período que for necessário. “Quando o paciente tiver vencido o câncer e decidir que é o momento de tentar ter filhos, o sêmen é descongelado e utilizado em técnicas de reprodução assistida”, destaca.

Neste caso, informa que geralmente é utilizada a técnica de Fertilização in vitro, com ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides), que consiste na introdução de um único espermatozoide dentro de cada óvulo, com o auxílio de uma microagulha em um equipamento chamado micromanipulador. A técnica oferece melhores resultados do que a fertilização in vitro convencional e do que a inseminação intrauterina.

Jornalistas responsáveis: Flávia Paschoal/Marisa Massiarelli Setto – Toda Mídia Comunicação

Dr. Gustavo Mendonça Borges
Dr. Gustavo Mendonça Borges

Dr. Gustavo Mendonça Borges

Urologista | CRM/SP 94.121
  • Formado pela Faculdade de Ciências Médicas Unicamp
  • Pós-graduado em reprodução assistida
  • Membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia
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