9 de agosto de 2017

A emoção de ser pai 18 anos após vasectomia

O Dia dos Pais deste ano tem sabor especial para o consultor André Faula de Oliveira, 42. Dezoito anos depois de ter feito vasectomia, aos 24 anos, ele passa a data ao lado dos três filhos: Yuri, 21, Arthur, 20, e Leon, de dez meses. A vinda do bebê, fruto do segundo casamento, com a consultora Deise Carolina Romera Faula, 33, foi possível graças à ajuda da medicina.

Neste ano, a palavra que resume o sentimento de André é “gratidão”. “Casei e fui pai muito cedo; depois que me separei, e quando conheci a Deise, já havia feito vasectomia e tinha meus filhos”, relata. No início do relacionamento, a esposa também não pensava em ser mãe.

Quando completaram dez anos juntos, André e Deise decidiram tentar ter filhos e foram buscar ajuda. Passaram por consulta no Centro de Reprodução Humana de Piracicaba, onde foi feita fertilização in vitro. Tiveram êxito na primeira tentativa, em janeiro do ano passado. Em outubro, nasceu Leon.

Foi alegria para toda a família. “Nossa casa mudou muito, ganhou cor”, afirma André. Ele conta que até os filhos mais velhos, que moram com a mãe e fazem faculdade em outra cidade, passaram a frequentar mais a casa. “Sinto a vida na plenitude quando estou com minha esposa e meus três filhos; sinto-me abençoado por Deus”, desabafa o pai, que não pensa duas vezes em expressar seus sentimentos: “Abraço, beijo e me emociono com muita facilidade”.

A chegada do novo filho mudou a visão de mundo de André. Desde que Deise ficou grávida, ele passou a ter um estilo de vida mais saudável, cuidando da alimentação e praticando atividades físicas. “Emagreci 10 quilos e cuido mais da minha saúde para que eu tenha pique quando o Leon estiver na idade que meus outros filhos têm hoje”.

Além disso, ele quer estar preparado caso a família aumente. “Como congelamos embriões, não descartamos a possibilidade de outra gravidez”, diz.

Com o relato de sua experiência, André pretende ajudar outras famílias que têm o sonho de ter filhos e não conseguem de forma natural. “A medicina pode nos trazer muitas respostas”, assegura.

NOVAS HISTÓRIAS

O ginecologista Paulo Arthur Machado Padovani, diretor do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba , informa que relatos como este fazem parte da história da clínica, instalada há nove anos na cidade graças a uma parceria com a Santa Casa de Piracicaba.

Em casos de homens vasectomizados que querem ter outros filhos, Padovani explica que após consulta, exames e análise dos casos, é possível optar pela reversão da vasectomia ou pela fertilização in vitro, inclusive com a opção de congelamento de embriões. A escolha leva em consideração, além do resultado dos exames, a idade e escolha dos pacientes.

Quando o casal decide pela fertilização in vitro e posterior criopreservação, os embriões excedentes são congelados em nitrogênio líquido a menos de 187 graus. “Os embriões são guardados em recipientes com isolamento térmico e quando a mulher estiver disposta a tentar uma nova gravidez, são descongelados e inseridos no útero”, explica o ginecologista.

Foto: André Faula com os filhos – Studio Della Libera