20 de setembro de 2016

Preocupação em reduzir gestação gemelar

À primeira vista, a cena é maravilhosa. Dois, três bebês, às vezes idênticos, chamam a atenção e arrancam suspiros. Na prática, muitos cuidados são necessários até a chegada deste momento.

A preocupação dos médicos do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba, de evitar a gravidez gemelar nos tratamentos de reprodução assistida, tem a ver com os riscos a que está exposta uma mulher que tem na cavidade uterina mais de um feto.

Segundo o médico ginecologista e obstetra Ernesto Valvano, o mais importante é que os pacientes saibam que os tratamentos de reprodução assistida têm como objetivo a obtenção de uma gravidez o mais natural possível, preferencialmente de um único filho, evitando desta forma os riscos de uma gestação gemelar.

“Uma das complicações nesse tipo de gravidez é o trabalho de parto prematuro, que pode levar o feto ao risco de morte, uma vez que os pulmões ainda não estão prontos para o funcionamento adequado. E o risco de prematuridade, de uma gestação inferior a 32 semanas, que é de 1% na gestação simples, aumenta para de 5% a 10% na gemelar, 30% na trigemelar e 53% na quadrigemelar”, relata Valvano.

Outras complicações apontadas pelo médico são baixo peso ao nascer; rotura precoce da bolsa amniótica (que leva ao parto prematuro), crescimento intrauterino menor que o esperado, diabetes na gravidez; hipertensão arterial e pré-eclâmpsia, anemia, morte de um gemelar, síndrome de transfusão feto-fetal.

De acordo com Valvano, para diminuir a ocorrência de gemelaridade, o cuidado se inicia na indução da ovulação, em pacientes que têm ovários policísticos, e que estão mais sujeitas a respostas exageradas.

Usa-se, nesse caso, menor quantidade de hormônios, é feito um controle rigoroso durante a indução da ovulação com ultrassonografia seriada e, em casos de inseminação intrauterina, suspende-se o tratamento caso a resposta dos ovários seja muito grande.

“Nos casos de FIV, transferindo-se uma quantidade menor de embriões, já estamos fazendo a prevenção da gemelaridade”, diz.
Jornalistas responsáveis: Flávia Paschoal/ Marisa Massiarelli Setto – Toda Mídia Comunicação

Dr. Ernesto Valvano
Dr. Ernesto Valvano

Dr. Ernesto Valvano

Ginecologista | CRM/SP 48.716
  • Formado pela Faculdade de Medicina São José do Rio Preto
  • Especialista em ginecologia obstetrícia
  • Pós-graduado em Reprodução Humana Assistida
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