22 de janeiro de 2016

Varicocele é causa de infertilidade em 40% dos homens

A varicocele, nome que se dá à presença de varizes ao redor dos testículos, é a causa mais comum de infertilidade masculina: atinge 40% dos homens inférteis. Mesmo assim, ela é a que tem o tratamento de melhor prognóstico.

O médico urologista Gustavo Borges, da equipe do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba, explica que na varicocele, o sangue fica represado ao redor do testículo, levando ao aumento da temperatura testicular.

“Os testículos estão situados em uma bolsa (escroto), justamente para ficarem a uma temperatura cerca de 1,5ºC a 2ºC mais baixa que a do corpo. Na presença da varicocele, além da temperatura aumentada, o sangue represado armazena substâncias tóxicas, há diminuição da oxigenação dos testículos, entre outras alterações bioquímicas dentro do ambiente testicular ”, diz.

Como consequência, Borges explica que podem ocorrer diminuição da produção, da movimentação e do funcionamento dos espermatozoides, causando infertilidade. Em alguns homens, a varicocele também provoca dor e atrofia dos testículos.

A incidência de varicocele na população masculina é de aproximadamente 15%, sendo o pico de seu aparecimento entre 14 e 15 anos. Ela é mais comum do lado esquerdo, mas muitas vezes aparece dos dois lados. Apesar de responder por 40% dos casos de infertilidade masculina, apenas 10% dos homens com varicocele terão problemas para gerar filhos.

O tratamento é cirúrgico e está indicado na presença de alterações no espermograma, especialmente nos homens com dificuldades para ter filhos. O tratamento também está indicado se houver sintomatologia local, caso da dor ou atrofia testiculares.

Segundo Gustavo Borges, o objetivo da cirurgia é a interrupção do fluxo de sangue pelas veias dilatadas. “A técnica cirúrgica mais eficaz é a varicocelectomia subinguinal microcirúrgica (técnica de Marmar). O cirurgião utiliza o microscópio cirúrgico e instrumentos especiais e delicados.” De acordo com o urologista, o índice de sucesso da microcirurgia é de cerca de 99%, contra 75% com o tratamento convencional o que a coloca, sem sombra de dúvida, como tratamento de escolha.

Cerca de 60% a 80% dos pacientes operados melhoram de maneira significativa de seis a 12 meses após o procedimento. “As taxas de gravidez após a cirurgia variam de 30% a 50% após um ano de tentativas”, ressalta.

Jornalistas responsáveis: Flávia Paschoal/Marisa Massiarelli Setto – Toda Mídia Comunicação

DR. GUSTAVO DE MENDONÇA BORGES

Urologista | CRM/SP 94.121

• Formado pela Faculdade de Ciências Médicas Unicamp
• Pós-graduado em reprodução assistida
• Membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia