4 de novembro de 2015

Reposição hormonal: fazer ou não?

Ondas de calor, dor de cabeça, irregularidade menstrual, diminuição do desejo sexual, pele ressecada e osteoporose são sintomas comuns na vida da mulher quando ela chega ao climatério e, logo depois, entra na menopausa. Em busca de uma melhor qualidade de vida, muitas pacientes procuram seus médicos interessadas na chamada TRH (Terapia de Reposição Hormonal). E, neste momento, aparece a dúvida: há mais riscos ou benefícios?

“O uso de hormônios, desde que feito de forma adequada, pode trazer benefícios para muitas pacientes. Mas a utilização dessa terapia deve ser analisada pelo médico, com base na história clínica da paciente, para uma avaliação ponderada sobre a existência de riscos”, afirma o ginecologista Paulo Padovani, da equipe do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba.

O médico lembra que o estrogênio, hormônio que apresenta uma queda na menopausa, é muito importante para a saúde da mulher. “Por isso, com monitoramento adequado e para mulheres sem fatores de risco, os ganhos com a terapia hormonal podem prevalecer”, afirma, lembrando que a paciente precisa ser acompanhada, com consultas periódicas, exames e análise de cada caso.

A terapia hormonal pode ser realizada com medicamentos injetáveis, orais ou transdérmicos (adesivos ou géis aplicados à pele).

POLÊMICA – A polêmica em relação à segurança da terapia de reposição hormonal foi acirrada há alguns anos, ganhou grande relevância após a divulgação da pesquisa WHI, denominada “Iniciativa para a Saúde das Mulheres”, realizada em 2002 com o apoio do National Institutes of Health, nos Estados Unidos. O objetivo foi avaliar a frequência de infarto, câncer de mama e de cólon, acidente vascular cerebral, trombose e fratura de fêmur entre usuárias e não usuárias de terapia hormonal.

Para realizar a pesquisa, 27 mil mulheres que já tinham passado pela menopausa – entre 50 e 79 anos – foram divididas em dois grupos. O primeiro era formado por pacientes que haviam retirado o útero e usavam terapia hormonal apenas com estrógenos. Para elas, o estudo não foi interrompido pelos riscos relacionados aos hormônios.

No segundo grupo, constituído de mulheres com útero intacto e que usavam outro tipo de terapia, com estrógenos e progestógenos, verificou-se que o tratamento prolongado com hormônios, por mais de cinco anos, aumentou o aparecimento de câncer de mama e doenças cardiovasculares e diminuiu a incidência de câncer de intestino e fratura de colo de fêmur.

“Vale a pena comentar que este trabalho foi feito com um grande número de pacientes com as seguintes características: média de idade do início do tratamento, 62 anos (o que não é feito no Brasil); 30% das pacientes tinham hipertensão arterial, 30% dislipidemia (alteração colesterol, triglicérides); 30% eram diabéticas, 70% obesas e 2% tinham ponte de safena”, afirma Paulo Padovani, lembrando que os resultados foram analisados de acordo com o respectivo índice relativo.

No grupo que usou os dois hormônios, foram registrados 38 casos de câncer de mama em um grupo de 10 mil mulheres. E no outro grupo que não usou hormônios, 30 casos de câncer de mama foram verificados. “O índice relativo nesta população aumentou 29%, isto é, foram registrados oito casos de câncer de mama em 10 mil mulheres”, cita Padovani.

Outro dado levantado pelo estudo refere-se aos casos do câncer de cólon que mostrou o IR de 26%, ou seja, diminuíram seis casos em cada 10 mil pacientes. O ginecologista explica que esse índice só se aplica à população descrita no estudo, e somente com os medicamentos usados neste experimento.

“Enquanto no primeiro grupo o trabalho foi até o final, mostrando não haver aumento na incidência de câncer de mama, no segundo foi necessária interrupção por problemas cardiovasculares, o que se justifica pelos antecedentes das pacientes”, acrescenta Paulo Padovani.

Jornalistas responsáveis: Flávia Paschoal/Marisa Massiarelli Setto – Toda Mídia Comunicação

DR. PAULO ARTHUR MACHADO PADOVANI
Ginecologista | CRM 39.536

• Formado pela Faculdade de Medicina de Jundiaí
• Pós-graduado lato-sensu pela Faculdade de Medicina de Jundiaí e Associação Instituto Sapientiae
• Especialista em ginecologia e obstetrícia, e habilitação em laparoscopia
• Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
• Possui título de Capacitação em Reprodução Assistida emitido pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida