16 de setembro de 2015

O limite biológico da maternidade

A decisão de ter filhos cada vez mais tarde pode trazer surpresas inesperadas para mulheres, principalmente quando o relógio biológico começa a dar sinais. “Óvulos envelhecem e é preciso que a mulher esteja atenta caso tenha o sonho de ser mãe”, alerta o ginecologista Ernesto Valvano, da equipe do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba.Para evitar surpresas desagradáveis, a partir dos 30 anos, o ideal é que a mulher que ainda quer aguardar alguns anos para tentar engravidar faça um monitoramento com seu ginecologista. “Um check-up adequado pode identificar até quando o sonho pode ser adiado; a lista de exames essenciais inclui dosagens hormonais e ultrassonografia durante o ciclo menstrual”, afirma Valvano.

O médico explica que, desta forma, é possível ter uma ideia se a paciente ainda possui muitos óvulos ou não.“Com os resultados, não é possível medir exatamente quanto tempo a mulher ainda estará com a fertilidade em alta, mas podemos identificar como está a reserva de óvulos”, esclarece.

Valvano informa que a partir do monitoramento, feito como forma de acompanhamento de dois em dois anos ou anualmente, conforme definição médica, o ginecologista poderá orientar a paciente se é hora de se apressar ou ainda dá tempo de esperar mais um pouco antes de engravidar. “Claro que esse monitoramento de fertilidade é uma ferramenta. Mas nunca é demais lembrar que a infertilidade pode ter várias outras causas, e afetar tanto o homem quanto a mulher”, explica.

Para as pacientes que optam por deixar a gravidez para mais tarde, existe a alternativa de preservação de óvulos. O congelamento pode ser uma opção, uma forma de utilizá-los posteriormente em uma tentativa, caso a gravidez não ocorra naturalmente. Este tipo de tratamento é oferecido no Centro de Reprodução Humana de Piracicaba, instalado no 5º andar da Santa Casa de Misericórdia de Piracicaba.

Se a opção for pelo congelamento, o ideal é que a coleta seja feita no momento adequado.“Congelar óvulos aos 30 anos é melhor do que mais tarde, porque os óvulos ainda estão na fase jovem”.

ATÉ QUANDO A MULHER PODE ESPERAR?

O ginecologista Ernesto Valvano explica que a mulher nasce com todos os óvulos que vai usar na vida e começa a perdê-los. Na barriga da mãe, ela carrega entre 6 milhões e 7 milhões de óvulos aproximadamente. Quando nasce, a quantidade cai para 1 milhão a 2 milhões. Quando chega na puberdade, está com 400 mil óvulos, em média.

“E a queda continua; o problema de adiar muito a gestação é que a fertilidade femininatem declínio importante depois dos 35 anos”, alerta Valvano, lembrando que o fator idade é importantíssimo para as mulheres e que após os 37 anos começam a piorar a qualidade dos óvulos e há uma maior incidência de alterações genéticas.

Nos casos de infertilidade, o especialista informa que os procedimentos na área de reprodução humana deveriam ser realizados no início da vida reprodutiva do casal, de preferência antes dos 30 anos, período em que a reserva ovariana é melhor, assegurando melhores resultados.

“A suspeita de infertilidade chega quando um casal mantém relações sexuais sem proteção durante um ano, sem engravidar”, afirma Ernesto Valvano, informando que o problema afeta entre 10% e 15% dos casais em idade reprodutiva. “Por isso, os casais devem procurar ajuda médica caso não consigam engravidar após esse período”, lembra o ginecologista.

Esse tempo deve ser menor caso a mulher tenha mais de 35 anos ou histórico de problemas como doença pélvica inflamatória, endometriose, abortamento, ciclos menstruais irregulares ou dolorosos. “Como em todo o tratamento, para as técnicas de reprodução assistida existem taxas de sucesso, que vão depender de vários fatores.”

Jornalistas responsáveis: Flávia Paschoal/Marisa Massiarelli Setto – Toda Mídia Comunicação

 


DR. ERNESTO VALVANO
Ginecologista | CRM/SP 48.716

• Formado pela Faculdade de Medicina São José do Rio Preto
• Especialista em ginecologia obstetrícia
• Pós-graduado em Reprodução Humana