10 de agosto de 2014

Pacientes podem ser pais com o congelamento de sêmen

Já se foi o tempo em que o tratamento para combater o câncer em jovens acabava com o sonho dos homens de serem pais. Atualmente, existem técnicas de reprodução assistida que podem contornar esse problema, para que o paciente tenha filhos no futuro, se desejar. Na região, tratamentos estão disponíveis no Centro de Reprodução Humana de Piracicaba.

O urologista Gustavo Borges lembra que a atuação do oncologista em conjunto com especialistas em infertilidade irá oferecer a melhor solução para estes pacientes. “A radioterapia e quimioterapia para o tratamento de diversos tipos de câncer podem provocar alterações importantes na fertilidade; por isso, recomendamos que todos os pacientes oncológicos em idade reprodutiva e que ainda não tenham filhos congelem sêmen, antes de iniciar o tratamento, como uma chance para tratamentos futuros de reprodução humana, se for necessário”, declara.Borges explica que este é um processo realizado com técnicas bem estabelecidas e resultados confiáveis. “O sêmen é coletado, preferencialmente em várias amostras; será congelado a -196 °C, armazenado por tempo indeterminado, podendo ser descongelado e utilizado no momento desejado pelo paciente”, afirma, lembrando que tratamentos de quimioterapia e radioterapia podem resultar em infertilidade temporária ou esterilidade permanente.

Estudos indicam que, dependendo do tipo de tumor e tipo de quimioterapia empregada, as porcentagens de azoospermia (ausência total de espermatozoides no ejaculado), até dois anos após o último ciclo, variam de 35% a 71%; e a porcentagem de infertilidade pode chegar a 90%. Mostram também que a radioterapia em doses baixas pode causar alterações na produção de espermatozoides e em doses altas pode provocar azoospermia prolongada ou permanente.

BANCO DE SÊMEN – Para os homens que optam por utilizar o banco de sêmen, o urologista Gustavo Borges lembra que a coleta deve ser programada antes do início da terapia. “Ajustes nos cronogramas podem ser feitos, dependendo da condição do paciente e da necessidade da rapidez do início do tratamento, desde que haja um consenso entre as equipes médicas”, afirma.Quanto maior for o número de amostras criopreservadas, maiores serão as chances de gravidez, pois haverá mais espermatozoides a serem utilizados em posterior reprodução assistida.As amostras de sêmen são obtidas em locais reservados para a coleta, no próprio laboratório. Uma solução é adicionada para a proteção dos espermatozoides e os frascos são etiquetados, codificados e datados.

O processo de congelamento começa imediatamente. Os frascos são colocados no vapor de nitrogênio líquido por duas horas a -96°C. Finalmente, são mergulhados no nitrogênio líquido a -196°C, onde ficarão armazenados permanentemente. “O sêmen pode ser armazenado nesta temperatura por cinquenta anos, e talvez mais, em geral com pequena perda da quantidade de espermatozoides apenas”, informa Gustavo Borges. O médico relata que casos de sucesso, com gestação bem sucedida após o descongelamento do sêmen, fazem parte da história do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba.

Jornalistas responsáveis: Flávia Paschoal e Marisa Massiarelli Setto/Toda Mídia Comunicação